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Distâncias

“Se conheces os demais e te conheces a ti mesmo, nem em cem batalhas correrás perigo; se não conheces os demais, porém te conheces a ti mesmo, perderás uma batalha e ganharás outra; se não conheces a os demais nem te conheces a ti mesmo, correrás perigo em cada batalha”.
(Sun Tzu - A Arte da Guerra)

Uma amiga estava reclamando dos homens (pra variar). Disse que ultimamente está difícil encontrar um que não tenha medo dela. Sim, medo. Segundo ela, sua presença intimida os manés, que acabam não se aproximando dela.
Eu já tinha lido sobre isso em algumas revistas e matérias de jornal. Segundo os especialistas (existe especialista em mulher?) o novo papel que a mulher assumiu nos últimos anos - comandam suas próprias vidas, independentes, inteligentes, bem sucedidas - acabou por distorcer a hierarquia tradicional da relação macho-fêmea. Nesta, a fêmea tem a função de procriar e cuidar da prole, enquanto o macho luta pelo alimento e pela sobrevivência de todos.
Não é mais incomum ver mulheres em cargos de alto comando, ou responsáveis por vários funcionários, inclusive homens. Já não são poucos os casos de sucesso de mulheres que investiram em seus próprios empreendimentos, e hoje constituem empresas de reconhecimento nacional e internacional. Se é assim, qual o problema então?
Os homens sempre foram devagar. E, diferentemente das mulheres que lutaram para mudar sua posição na sociedade, os homens não estão nem aí para isso (serem lerdos). Quantos amigos seus já não esqueceram data de aniversário de namoro, casamento ou algo do tipo? Quantos homens você conhece que dão flores? O mais hilário é o indivíduo que, quando nota que precisa agradar sua companheira, compra um liquidificador pra ela.
Até quando os homens vão deixar de perceber que estas mulheres, rotuladas pela sociedade, nunca deixaram de ser mulheres, no sentido de que também merecem atenção, carinho e tudo o mais que qualquer outra quer e precisa? A diferença talvez seja que aquelas brincadeirinhas idiotas entre adolescentes, ou aqueles apelidos enjoativos entre namorados (docinho, chuchuzinho, morzinho, mogueco e afins) já não são mais necessários - pelo contrário. Estas mulheres não deixaram de ter sonhos porque têm carros, ou porque moram sozinhas…
O tempo passa, as crianças crescem, e o jeito de brincar também. O jogo mudou, as regras mudaram. E viva o darwinismo social, que separará os mais aptos a lidar com este mundo novo daqueles que insistem em comprar uma geladeira para a esposa.


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