ago

31

Guarda

Constatei uma coisa que já deveria saber: manter a guarda, sempre. E nunca pré-julgar as situações. Não deixar que aquilo que sentimos (ou queremos) influencie na visão do que realmente está acontecendo, ou para acontecer.
Eu já sei disso. Aliás, há tempos. Fazia tempo que eu não me esquecia disso. Mas a razão está mais que clara para mim, e é deliciosamente inebriante.
Starting the game.. again..

ago

30

Holofote

As luzes estão se apagando.
Depois de quase 5 anos, estou conhecendo a sensação de que todos falam, e nunca acreditamos: “um tempo que não volta mais”. É um misto de saudosismo piegas com uma constatação dura. Deixamos a imaturidade e a infantilidade para trás e nos deparamos com o mar aberto, convidando-nos a navegar a toda força.
Feito um balanço (simples) destes últimos anos, o lado do aprendizado é mais forte que dos erros, ainda que um esteja intrinsicamente ligado à existência do outro. Sim, as lições mais importantes, aquelas que realmente se leva para a vida, são as forjadas no suor, sacrifício, dor, algumas brejas na cabeça e risadas dos amigos. Sem nenhum artifício dramático, um pouco de sofrimento é necessário para que se dê valor aos momentos em que ele não existe.
Essa semana, chamou-me a atenção uma frase, no almoço de segunda. “E adiantou? Tanta coisa você fez para que tudo desse certo, e no fim das contas, aqui está você”. O que ele não entende (ou não sabe) é que deu certo, apesar de tudo. É verdade que sinto falta de uma certa inocência em minhas atitudes e pensamentos de vez em quando. Mas nada paga o preço da lucidez em uma terra de alienações.
Há coisas que não se aprende numa sala de aula. E estas são as que realmente levarei para o churrasco de encontro de turma daqui a 5 ou 10 anos. Afinal, depois que inventaram isso, muitos dos nossos problemas foram simplificados. Ainda que a questão seja dar a martelada no lugar certo.

ago

28

Por…

Por ambição, a secretária vai para a cama com seu chefe - em se tratando do poder público, talvez a informação seja tão pública quanto, ainda que extra-oficial (alguns chamam de boato mesmo). De fato, ter mulher e amante é algo impressionante para um homem que não consegue administrar a própria vida direito.
Por dinheiro, a assistente se casa com seu chefe, ainda que todos considerassem que nunca houvera tão grande golpe do baú como aquele. Para os que acreditavam que o amor era a premissa, tão surpresos ficaram quanto todos aqueles que os conheciam quando souberam que o papel de traída coube a ela. Pior: seu marido foi flagrado na cama com outro homem, um amigo de profissão, sendo ambos muito respeitados nos seus meios.
Por amor, um homem abandona sua carreira de sucesso e se muda para o interior, em busca da paz que não encontrou na cidade grande. Amor a si próprio, e à sua amada, que hoje o admira pela coragem de se desvincular dos velhos hábitos.
Por algo que não se explica (apenas se sente), ele a beijou. E ela ficou sem palavras. Nunca esperava que isso pudesse acontecer, principalmente entre os dois. Ele ficou receoso de que pudesse ser mal interpretado. Ela ficou vermelha. E ambos viram a lua no céu.
Essas coisas de cidade do interior são interessantes.

ago

27

Síntese

Amor. Traição. Falsidade. Luxúria. Vaidade. Sexo. Amizade. Surpresa. Alegria. Lágrimas. Saudade. Inocência.
Histórias de uma cidade do interior. Vai render algumas palavras depois.

ago

24

Constatações

Não lembro onde vi que sem um grande objetivo não se constrói um grande homem. Na mesma linha, uma grande luta só tem sentido quando dois grandes lutadores estão em seus postos. Se um deles desiste, o outro não tem o mérito da grande vitória.
Ontem foi um dia onde percebi claramente que algumas batalhas já estão ganhas, outras perdidas, e algumas em pleno vapor. Vi que ainda posso contar com alguns poucos e bons amigos, que não precisam de motivos para serem como são. Apesar de não necessariamente estarmos do mesmo lado, existe um respeito que permeia nossas relações, e uma admiração mútua sobre as qualidades e a grandeza de cada um.
Também constatei que, por mais que se tente, algumas pessoas simplesmente não querem ser encontradas. E, ultimamente, tem me cansado essa dependência humana dos sentimentos, das bajulações. Ninguém merece viver mendigando atenção, e por mais que se tente, estas pessoas não querem ser ajudadas. Como não sou santo, não vou gastar meu tempo com quem não quer mudar. De teimoso basta a mim mesmo para aguentar.
Ainda neste mesmo raiar de sol, vi que ainda tenho que conquistar um espaço que julgava ser meu. O que mais me chateia nem é o fato de ainda não ter me tornado uma opção, mas sim que eu gosto de estar lá, gosto do que faço e onde faço. Ainda assim, isso não é suficiente para que eu fique. E, de certa forma, vejo-me inserido no que escrevi ali em cima. Eu estava precisando de um grande objetivo, e ele apareceu. Só preciso descobrir agora se estou pronto para lidar com as duas possibilidades que ele me oferece: sucesso e fracasso…
Pensando bem, não estou pronto para o fracasso. Talvez seja porque não acredito nele.

ago

23

Texto vago

A vida poderia ser comparada a uma peça, com vários atos, e alguns deles definitivamente hilários. Durante boa parte da vida a pessoa busca ser aquilo que os outros julgam ser bom, justo, correto, socialmente aceitável. E simplesmente se esquece de ser aquilo que verdadeiramente é, ou de expressar aquilo que realmente sente.
Daí, a partir de alguns eventos decisivos em sua vida, ela decide nao se deixar mais levar pelo que as outras pessoas pensam, mas por aquilo que ela considera correto. E percebe que o número de problemas começa a se multiplicar à sua volta. As pessoas não aceitam esta mudança com naturalidade - pelo contrário, criticam e condenam este novo comportamente, taxando como algo loucura ou insensatez.
Ela não desiste. Fortalece suas bases, armazena energias, aprende a controlar suas opiniões, no sentido de falar da maneira que o resto do mundo possa entender, sem que sua opinião se perca no caminho. Os amigos vão ficando cada vez mais raros, todavia os que ficam são cada vez mais fiéis. E no fim, o que importa é exatamente isso: ter perto de si aqueles que você admira e respeita, e vice-versa.
E ela prova que dá para viver assim. Mais: mostra a ela mesma que a felicidade pode ser alcançada com seus próprios passos, e não somente com fórmulas pré-formatadas e despejadas sobre cada um.

ago

21

Primeira e última vez

“Você preenche meus pensamentos,
repousa em meus sonhos.
Alegra meu dia com a luz de seus olhos,
como a um beija-flor que encontra sua companheira perfeita.
Por que eu faria mal a uma flor tão bela?”

“Depois de você, os outros são os outros e só.”
(Os Outros - Leoni)

Eu simplesmente poderia não comentar sobre isso aqui. Mas, de certa forma, deixo aqui registrado para mim mesmo, quando olhar lá na frente meus textos antigos, e ver que em algum momento este sofrimento esteve presente em minha história - apesar de não acreditar que ele simplesmente desapareça de mim. Eu poderia escrever milhares de coisas, dar centenas de razões para isso ou para aquilo. Mas prefiro pensar que o tempo é um mestre sábio - nem por isso piedoso ou complacente. A dor é necessária para o aprendizado de algumas coisas, e a percepção de que não há pedra na qual se possa apoiar, e não há homem que se possa confiar.
Não há como saber sobre algo se não experimentá-lo. Assim é com comida, com sentimentos, ações. E uma das grandes marcas deste nosso admirável mundo novo é a inversão dos valores, o esquecimento de alguns preceitos, a perda de alguns sentimentos essenciais. Posso dizer que o sabor não é bom, não é agradável ao paladar nem aos olhos, e definitivamente não traz nenhum benefício ao coração ou qualquer outra parte do corpo.
Não vou continuar a corrente, não vou fazer parte deste delírio inconsciente e coletivo. Dos primórdios do meu ensino médio desenterrei uma aula de história sensacional, na qual aprendi sobre a “Presunção de Inocência”, da Teoria Geral do Direito. Ela é uma das bases de todo o Direito, e permite que um acusado seja considerado inocente até que se prove o contrário. Assim, tanto para mim quanto para qualquer outra pessoa, fazer acusações ou levantar teorias sobre o que aconteceu ou deixou de acontecer não passa de um grande exercício de leviandade.
Além disso, aqui mistura-se um ingrediente perigoso à imparcialidade, e do qual não sou digno de mencionar ou decorrer sobre. Este ingrediente ata-me à inquietude dos meus anseios por inocência, ou por prová-la mesmo que não necessite disso. Daí, o silêncio se torna o único caminho que posso percorrer sem que os espinhos me firam, apesar de já estar tão machucado. Talvez o que sirva de consolo é o que alguns chamam de “consciência tranquila”, e a que dou o nome de caráter.
Por mais que se entenda de cada detalhe do jogo, isso não é premissa para que se seja um bom jogador. Existem pessoas que jogam melhor, outras que entendem melhor o jogo. Cada um tem seu papel. Daí, por mais que eu veja o que está acontecendo, talvez não seja um grande jogador. Eu só queria ter minha coleção de figurinhas de novo…
Não perco a esperança de encontrar a justiça sobre a terra. Talvez ela esteja escondida, com medo dos cães ferozes que andam soltos por aí. Talvez ela seja uma menina inocente, que tem medo do escuro e gosta de algodão doce porque é parecido com uma nuvem. Ainda assim, um dia essa menina crescerá, e descobrirá que sua força é maior do que qualquer medo. Bons os tempos em que apenas uma palavra bastava.

ago

21

Três da manhã

Sempre é precipitado tirar conclusões sobre os fatos quando estes acabaram de acontecer. E quem me conhece (ultimamente, é verdade) sabe que estou evitando seguir por esta linha de raciocínio, onde sempre existe um culpado, e as generalizações permeiam os alicerces do pensamento. Todavia, este caso particular possui um agravante, que no Direito costumam chamar de Jurisprudência. Algumas pessoas não foram feitas para a felicidade. Este é o fato. E as conseqüências disso são notadas durante bons minutos de solidão.
Ainda que, por esforço e insistência, durante algum momento esta sentença fica anulada, como sob um efeito suspensivo obtido através de um habeas corpus. Mas, como conhecemos de nossa Justiça, estes logo são derrubados por outros, aniquilando assim a pouca esperança de que algo pudesse mudar. E, diante da ambição dos advogados, geralmente estes recursos são acompanhados de exigências maiores (ou punições, dependendo do caso). Daí, passa-se a perceber seus efeitos não só em uma vida, mas em várias, principalmente àquelas as quais ele tem tanta estima.
Talvez seja uma missão. Daquelas que arrebatam um homem para caminhar sem pouso certo, de vila em vila, buscando algo que nem ele mesmo sabe o que é. Daquelas que não permitem vacilos, descansos sob a sombra de uma figueira, ou criar raízes onde quer que seja. Daquelas que se caminha só, pois nenhuma pessoa além daquele homem mereceria tal sorte. E, diante desta visão, ele não reclama. Sua solidão e sua tristeza são administráveis, às vezes convertidas em energia para alimentar a esperança de que um dia isso tudo acabe.
Mas não é justo que esta via crucis seja percorrida por mais alguém. Ela não merece, porque ela não se encaixa nessa generalização. Se algumas pessoas não nasceram para a felicidade, ela nasceu sim. E não há muitas pessoas que mereçam tanto como aquela menina, sentada à beira do lago, vendo aquele barco se afastar no final da tarde.
E aquele homem paga o preço por tantos passos dados em vão. Mas um dia, quem sabe, suas palavras terão peso, e sua busca enfim termine…

ago

19

“Não saber da verdade fere,
Saber a verdade parcialmente tortura,
Ser desacreditado quando se conhece a verdade mata.”

“Competição existe somente quando há disputa.”

O aprendiz olhava para o médico, implorando por uma resposta que justificasse aquela injeção que ele havia acabado de aplicar.
- Eu não condeno você. Fez o que havia para ser feito.
- Mas algo me diz que a culpa não era dele…
- Não cabe a você julgar isso. Não te é dada esta autoridade e, mesmo que a tivesse, não teria condições de analisar o caso dele.
- E por que não?
- Porque não conseguirias distinguir entre a razão e o sentimento, entre a verdade e a aparência, entre o certo e o provalmente certo.
Aquele silêncio rasgava os véus da cortina que tirava a visão da sala, fechada logo após a execução daquele homem.
- Mas este homem tinha argumentos que o inocentavam.
- E também tinha os que o condenavam, apesar de sinceramente não acreditar neles.
- Então por que ele morreu?
- Porque sempre alguém é culpado. E, neste caso, ele foi o escolhido.
- E que raios de justiça é essa então, que condena inocentes e liberta culpados?
- Pois é… acho que, no fundo, ele não tinha um bom advogado.
E mais um homem morria, condeno por sonhar com um mundo melhor.

ago

19

Nota de rodapé

“I know where you hide, alone in your car
Know all of the things that make you who you are
I know that goodbye means nothing at all
Comes back and begs me to catch her every time she falls
I don’t mind spending every day
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay awhile
And she will be loved”
(She Will Be Loved - Maroon 5)

Escrever apenas não era suficiente para expressar toda a intensidade daquele sentimento. Daquelas poucas palavras, muitas estavam ali simplesmente porque as verdadeiras, aquelas que realmente deveriam estar ali, ainda não tinham sido criadas.
Como descrever algo que não se sabe exatamente o que é? Como dizer ao médico que a dor que se sente é gostosa? Que o frio na barriga não incomoda, e que o aperto do peito simplesmente desaparece quando ela aparece? Era assim que ele se sentia, e não sabia definir o por quê.
Nas folhas daquele caderno, as linhas serviam como pautas para um grande compositor. Das palavras surgiam melodias que certamente causariam (boa) inveja aos grandes compositores. Aquelas páginas são testemunhas da história dela.
Ela tem a sua vida, seus amigos, seus cachorros. Enquanto todo mundo corre pra lá e pra cá sem saber onde quer ir, ela apenas caminha. Sabe qual o rumo dos seus passos, não admite caminhar nas sombras, vive diante da certeza de cada passo. E o que fazer quando esta não existe? Hesitar?
Não, ela não conhece essa palavra. No máximo, aquele receio de dar errado o qual todos nós estamos sujeitos, pela nossa natureza. Mesmo assim, não se deixa vencer por ele - luta, corre, escreve. Vive de suas convicções, mesmo que apenas ela acredite. Porque a verdade não muda se uma pessoa a conhece, ou milhares.
Assim como ele, ela também sofreu. Ambos tiveram muitas decepções, sofrimentos. Cada um à sua maneira, experimentaram da alegria de um amor, e da tristeza de um amor. Nenhum deles teve à sua frente um caminho fácil, com muitas árvores onde pudessem se deitar sob suas sombras. Pensaram por várias vezes desistir. Por sorte, geralmente nestes dias o sol brilhava num céu de brigadeiro.
E sabe qual a grande diferença? Tanto ele quanto ela sabem que o que há é mais forte do que antes, mais maduro, mais vivido. Hoje, a eles é permitido entender coisas as quais não entenderiam se não tivessem passado por tanta coisa até agora. Daquela história de que cada etapa é importante para a vida de alguém, eles não sabem se é verdade ou não, mas que neste caso funcionou é fato.
Esta mesma maturidade impõe a ele a serenidade de deixar que cada fato ocorra em seu determinado momento. Ele sabe que a cada dia pertence seu momento, e que a soma de todos eles pode constituir uma direção. Assim como tem serenidade para entender que o amor é tão grande que nele também cabe respeito, amizade, companheirismo.
Ela entende todas estas coisas, e as guarda em seu coração. E como não guardar em um coração tão grande? Às vezes afoito, imtempestuoso, mas sincero. A construção perfeita para exercitar esta coisa tão doida que é amar incondicionalmente.
Este caderno não foi feito para ficar guardado em uma gaveta. Por outro lado, ninguém além dela precisa saber o que ele escreveu, e o que ela sentiu quando leu o que ele compôs. Se bem que, neste caso, talvez a recíproca seja tão verdadeira que praticamente soe com um uníssono.