set

30

Minha primeira vez

Superar seus próprios limites. Encontrar forças no mais profundo de si mesmo.
Hoje fiz algo que nunca imaginei que conseguisse, que nunca passou pela minha cabeça um dia. Enfrentei meus próprios limites, desafiei meu cansaço, minhas pernas e a dor. Era como se a cada passada eu colocasse ali um pouco de tudo de ruim que ficou impregnado durante 2007. Cada metro conquistado era um a mais no caminho para minha própria liberdade, para exorcisar meus demônios.
Comecei a correr 6 meses atrás como alternativa para perder peso, para ganhar saúde e para substituir a bicicleta que estava quebrada. Eu odiava correr, não suportava a idéia de não ter um objetivo, de correr por correr. Preferi sempre pedalar, sentir o vento no rosto, a liberdade de ir a distâncias muito maiores em muito menos tempo.
Mas a corrida me ensinou muito mais do que controlar minha respiração. Aprendi a ter paciência comigo mesmo, a ver que nem todas as distâncias podem ser superadas, e mesmo aquelas que podem tem seu próprio tempo. E tudo isso depende de nossos próprios esforços, do nosso limite atingido a cada dia de treino.
Aprendi que existe um momento em que reconhecemos que somos menos do que gostaríamos de ser. E momentos nos quais percebemos que somos maiores do que qualquer um já disse que seríamos um dia. Perseverança não é apenas uma palavra grande do dicionário e que quase ninguém sabe explicar, mas é treinar sob sol e sob chuva, mesmo quando a vontade é de ficar em casa e assistir um programa de TV.
Hoje corri meus primeiros 10km. Também foi minha primeira competição oficial - competição comigo mesmo, não contra ninguém. Lutei contra meus próprios limites a cada quilômetro percorrido, contra cada dor, cada pensamento ruim que se passava em minha cabeça. E confesso que, depois de um ponto, não havia mais espaço para pensamentos ruins em minha mente. Era apenas correr, se concentrar em cada passada, na respiração ofegante, no pulso acelerado.
Descobri que dor faz parte da vida, mas que não impede ninguém de ter seus próprios objetivos alcançados. E hoje eu alcançei o meu primeiro. Que venha o próximo.

set

25

Passado e ido

A consciência de algumas coisas vai aumentando conforme o tempo passa. E a inocência vai se perdendo também.
Um dia eu acreditei que seria possível ter grandes amigos, e muitos. Acreditava que seria capaz de convencer as pessoas das idéias boas que tivesse, que as ajudaria em suas necessidades. Julgava ser capaz de fazer parte da vida das outras pessoas, assim como elas faziam parte da minha.
Não admitia que uma amizade não tivesse sinceridade, ainda que não em todos os momentos. Esperava estar sempre disposto a ajudar, caminhar lado a lado com aqueles que assim desejassem. Queria ter sempre boas lembranças das pessoas que passaram pela minha vida.
Um dia achei que minha palavra fosse importante. E que não haveria a necessidade de provar o que fiz e não fiz. Pensava que meu “sim” e meu “não” seriam levados tão a sério quanto eu levo a sério um sim ou não de alguém. Acreditei nas pessoas, e esperei que elas acreditassem em mim.
Um dia me apaixonei. Um dia amei. E achei que uma coisa dependia necessariamente da outra, embora acreditasse que até poderia existir um sem a presença do outro. Um dia deixei-me levar pela cegueira típicas das paixões, que traz consigo uma perda quase irreparável da própria personalidade.
Um dia sofri, e achei que nunca fosse passar. Um dia passou, e achei que nunca mais fosse sofrer. E percebi que não estou livre nem de um nem de outro. Ao menos percebi que ambos contribuem para um crescimento que não pode ser representado por centímetros ou quilos a mais.
Achei que fosse mais fraco. Sim, sou muito forte. Bem mais do que eu imaginava. A ponto de estar aqui, e olhar para os parágrafos anteriores com o espírito de que cada esquilo tem sua noz, e nada é dado a alguém sem que este tenha condições de carregá-lo.
É uma pena que nem todo mundo pense assim…

set

23

Melodia

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?…
(Eduardo e Mônica - Legião Urbana)

Já não me preocupo
Se eu não sei por quê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê..
(Quase sem Querer - Legião Urbana)

E cualcuno se vorrai, vestito di poesia
ti coprirá d’amore
senza chiederti di più e t’accarezzera
(Dolcissima Maria - Renato Russo)

set

20

Dia 30

Será que dá?

set

19

Gotas

Do que adianta ser o mais belo pássaro,
ter o mais belo canto,
ser livre para escolher para onde ir,
quando ir.
Onde reside a vitória
de poder dizer “Eu sou livre”
se, no fundo,
não há quem nos ouça?
Se não há com quem compartilhar dessa liberdade..
Se não há para quem cantar.

set

18

Nossa Língua Portuguesa

Sabe qual é o efeito que um pronome da terceira pessoa (tanto singular quanto plural) causa em uma frase afirmativa?

Incredulidade.

Bizarrices como “Me disseram…”, “me contaram…”, “falaram que…”, “dizem por ai…” só levam ao interlocutor a sensação de insegurança do narrador, que não consegue alicerçar seus argumentos em idéias sólidas, e apela portanto para este tipo de futilidade.
Por isso, se quiser entrar no mundo dos dignos, aprenda as regras do jogo. Eu e nós merecemos respeito.

set

17

Das decisões que tomamos

Eu já escrevi sobre isso, mas os ventos me trazem novamente aqui. E é engraçado perceber como nossas percepções mudam, a partir dos lugares por onde já passamos e das experiências que já vivemos.
Nesse jogo de escolhas que é a vida, nossas decisões sempre são ponderadas por diversos fatores atrelados à nossa existência, tais como a opinião dos amigos, a maneira como vemos o mundo e como o mundo nos vê. Ainda que soe como um paradoxo, dado que a principal opinião (e talvez a única que importe) é a nossa própria sobre nossa vida.
Mesmo assim, como um fator de correção de um cálculo doido de pesos que damos às coisas de nossas vidas, estes elementos que citei acima interferem mais ou menos, de acordo com o grau de liberdade que nos concedemos. Eles podem representar um peso considerável no valor final, significando que nos prendemos excessivamente à opinião alheia, ou apenas representar uma pequena variação - praticamente desprezível - indicando que as rédeas de nossa vida estão nas mãos de quem deveriam estar.
Eu acreditava que era possível eliminar esta variação, pura e simplesmente. Tal como nós, engenheiros, fazemos quando comparamos grandezas e percebemos que uma variação de 0,2% pode ser desprezada, desde que não se trate de uma encubadora neonatal ou de um Airbus. Eu acreditava que a interferência que nos permitimos absorver pudesse ser filtrada a tal ponto que não representasse nada além de enfeite na conta, automaticamente eliminado a partir daquelas regrinhas que aprendemos na terceira série, de cortar os fatores comuns para simplificar continhas de frações.
Mas não é assim. Hoje percebo que é muito mais díficil do que minhas vãs idéias acreditavam. A opinião de outras pessoas é importante sim, e se torna absolutamente mais complexa conforme aumenta a porcentagem de participação que estas possuem na formação do seu caráter - ou ausência dele. E, novamente, apresenta-se diante de nós as velhas e boas escolhas que temos que fazer.
Agora, o que me causa um (leve) espasmo de preocupação é que achei que estivesse vacinado contra estas interferências. Ou ainda que o peso atribuído a elas fosse menor do que realmente estão parecendo ter. Mesmo assim, isso não me preocupa, dado que minha modéstia não me impede de admitir que tenho algo que poucas pessoas tem, que muitos chamam de personalidade, e eu prefiro encarar como “ser eu mesmo”.
Porque, no final, apenas minha opinião é a que realmente importa.

set

13

Orgulho?

Um minuto de silêncio pela palhaçada chamada Brasil.

set

11

Concerto

“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
A vida não pára.
(…)
Enquanto todo mundo espera a cura do mal,
E a loucura finge que isso tudo é normal,
Eu finjo ter paciência”.
(Lenine - Paciência)

Não há o que se escrever quando as palavras já não bastam. Não há o que argumentar quando os fatos dizem por si. E não existe razão que seja forte, tanto a ponto de dar nó na emoção, ludibriá-la em seus contos de ninar.
Com três acordes se constrói uma canção. Com algumas palavras se expressa um poema. Com algumas dezenas de pessoas, é possivel atingir os céus através do canto. E basta apenas um olhar, um sorriso, e todas estas manifestações tornam-se insignificantemente belas.
Do piano soam as notas que levam à batalha ou ao recolhimento. E, como numa pauta permeada de pausas, difusas e semi-tons, os obstáculos que nos são impostos simplesmente viram acordes da grande sinfonia que nós mesmos estamos compondo ao longo de nossos passos. Assim como nos grandes mestres, nossas peças se dão ao direito de ir de uma tristeza profunda à uma grande e exultante alegria, de tal forma que no conjunto final a platéia aplaude de pé.
Bon soir!! À vendredi!

set

11

Alguém…

…que entenda que nem todos os riscos são calculáveis, mas que pode-se assumi-los ou não.
Que nem todas as paixões são instantâneas, mas que grandes amores também surgem de pequenos instantes de um olhar intenso.
Que nem todas as estradas tem um fim - elas podem levar a um lugar intermediário, entre o absoluto e o relativo, entre o certo e o não tão certo.
Que nem todos os vinhos nos dão dor de cabeça, que nem todas as festas são divertidas, que nem todas as músicas nos dizem alguma coisa.
Que sorri quando se deve, na medida certa da alegria, e que sabe que cada sorriso ilumina um pedaço do coração.
Que é adulto suficiente para entender que nem todos são absolutamente desejáveis, e que nem todos desejam o que apenas você deseja.
Que nem todos dão importância para aquilo que você dá, ainda que você considere que esta coisa seja a mais importante do mundo - simplesmente algumas pessoas não acham isso.
Que é maduro suficiente para entender que fidelidade existe, e não é fruto de um sentimento soberbo, mas da racionalidade de entender que a grama do vizinho quase sempre será mais verde, ou que a maça da árvore do outro lado da rua é mais suculenta que a que está na sua geladeira - ainda sim, cabe a você decidir isso.
Que é companheiro suficiente para estar ao seu lado em todos os momentos.
Que tem caráter suficiente para ser honesto consigo mesmo e com seus sentimentos, e que não tem vergonha de dizer que gosta quando gosta, e que não gosta quando não gosta.
Que come chocolate sem medo de engordar.
Que gosta de coisas que todos gostam, e gosta de coisas particularmente únicas - e respeita aqueles que não gostam ou não conhecem.
Que tem convicção, não se importando se uma opinião sua diverge ou converge em relação a outras, desde que haja outras.
Que respeita as diferenças.
Que não brinca com o que não é seu, incluindo aí a boneca da vizinha ou o coração de um companheiro.
Que conta as horas sob sua perspectiva, na qual os minutos e segundos ganham forma mediante as ações de sua própria vida.
Que ama, e não precisa que o mundo inteiro saiba disso - apenas a quem verdadeiramente interessa.
Que desperta a fé nos corações das pessoas, ainda que esta esteja tão fraca e debilitada.