Passado e ido
A consciência de algumas coisas vai aumentando conforme o tempo passa. E a inocência vai se perdendo também.
Um dia eu acreditei que seria possível ter grandes amigos, e muitos. Acreditava que seria capaz de convencer as pessoas das idéias boas que tivesse, que as ajudaria em suas necessidades. Julgava ser capaz de fazer parte da vida das outras pessoas, assim como elas faziam parte da minha.
Não admitia que uma amizade não tivesse sinceridade, ainda que não em todos os momentos. Esperava estar sempre disposto a ajudar, caminhar lado a lado com aqueles que assim desejassem. Queria ter sempre boas lembranças das pessoas que passaram pela minha vida.
Um dia achei que minha palavra fosse importante. E que não haveria a necessidade de provar o que fiz e não fiz. Pensava que meu “sim” e meu “não” seriam levados tão a sério quanto eu levo a sério um sim ou não de alguém. Acreditei nas pessoas, e esperei que elas acreditassem em mim.
Um dia me apaixonei. Um dia amei. E achei que uma coisa dependia necessariamente da outra, embora acreditasse que até poderia existir um sem a presença do outro. Um dia deixei-me levar pela cegueira típicas das paixões, que traz consigo uma perda quase irreparável da própria personalidade.
Um dia sofri, e achei que nunca fosse passar. Um dia passou, e achei que nunca mais fosse sofrer. E percebi que não estou livre nem de um nem de outro. Ao menos percebi que ambos contribuem para um crescimento que não pode ser representado por centímetros ou quilos a mais.
Achei que fosse mais fraco. Sim, sou muito forte. Bem mais do que eu imaginava. A ponto de estar aqui, e olhar para os parágrafos anteriores com o espírito de que cada esquilo tem sua noz, e nada é dado a alguém sem que este tenha condições de carregá-lo.
É uma pena que nem todo mundo pense assim…
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