Percebi algo neste último fim de semana que me deixou muito triste, mas que confirmou minha posição diante da credulidade nas pessoas.
Até que ponto pessoas que convivem quase todos os dias, durante anos, são necessariamente amigas? No churrasco do último sábado, quase minha sala toda estava presente. E ficou nítido o que eu insistia em relutar: não há nem nunca houve uma amizade/unidade entre todos da sala. O que sempre existiu foi uma mera relação profissional, na qual as pessoas são, até certo ponto, obrigadas a conviverem umas com as outras devido a interesses em comum.
Não faço uma generalização. Existem pessoas que realmente se gostam e são amigas, e aquelas que são importantes pra mim sabem disso, ou pelo menos deveriam saber. Mas o engraçado é que a maioria insiste em criar uma ilusão de que todos se gostam. Sorrisos, abraços, aquela conversa sobre o estágio, os planos para o futuro. Uma falsidade que eu suportava porque não acreditava que era tão velada assim. Mas era. E, de repente, deixou de ser - tornou-se tão nítida e clara que até ofusca a vista e a consciência.
Ainda que a amizade não exista (ninguém é obrigado a gostar de outra pessoa só porque estudam juntos), acredito que sempre existe espaço para o respeito, em qualquer situação. E este percebi também que deixou de existir há tempos. Não sei exatamente onde ele se perdeu nesse caminho, onde as pessoas o deixaram de lado. Sei que ele não está mais lá. Deve ter se cansado de tanto cinismo.
Revoltante é ver que ainda existem pessoas que vêem o mundo como um grande parque de diversões. Não que ele não seja - até sou adepto de viver a vida “leve”, sem ficar se estressando por qualquer coisa. Mas, mesmo num parque de diversões, existem os brinquedos e existe também a administração, que quase ninguém percebe a presença, mas que está lá. E que sem ela não existiria ordem na brincadeira. Até quando a montanha russa continuará funcionando?
Mais que isso, o que caracteriza uma pessoa: seu caráter ou a roupa que está vestindo? Uma pessoa que não tem condições de ter um terno é menos digna de estar presente numa festa do que aquela que teve tudo o que quis, a vida inteira? Uma pessoa que trabalha de sol a sol, todos os dias, é mais ou menos importante que aquela que teve sempre tudo no colo? Quem tem o poder para decidir isso? Uma comissão de representantes, que mais parece representar seus próprios interesses? E ainda reclamam de Congresso, Senado, dos políticos que pensam em si mesmos.
Tudo isso pode parecer sem sentido - e realmente é. Não tem sentido discutir desigualdade, covardia, falsidade. É dar crédito a essas características. E às pessoas que fazem uso delas. Mas queria deixar escrito aqui, para um dia me lembrar de alguns bundões que passaram pela minha vida, e não deixaram nada de significativo nela.
Estávamos nós novamente juntos. Depois de muito tempo. Depois de uma saudade velada, de uma ausência sentida, e de uma falta de comunicação que resistiu ao tempo. Lá estávamos os três novamente rindo e bebendo juntos, conversando sobre nossas vidas, falando sobre nossas vitórias e derrotas.
Conversávamos sobre o que cada um tem feito. Sobre nossos empregos, uns estáveis e outros nem tanto. Discutíamos as possibilidades que tínhamos pela frente, os novos horizontes que se descortinavam. Ríamos das nossas barrigas, dos nossos cabelos que não são mais os mesmos de alguns anos atrás.
Regados à cerveja, com nossos charutos - primeira vez, registre-se - nos lembrávamos da nossa faculdade, do tempo que moramos juntos, das alegrias e das incontáveis aula que, ou dormíamos, ou perdíamos a hora. Cobrávamos nossas dívidas antigas, ainda que soubéssemos que todas já estavam pagas. Arquitetávamos planos. Visitas. Viagens. E que esperamos que dêem certo.
Foi bom vê-los novamente. Foi bom reviver nossa amizade, e notar que esta é muito maior do que imaginávamos.
O mundo anda tão complicado, que hoje eu quero fazer tudo por você.
Já dizia Renato Russo.
E realmente, anda complicado demais. E, com ele, as pessoas acabam se complicando e complicando suas vidas. Por que tanta gente insiste em se estressar tanto por tantas coisas?
Claro, as pessoas têm que buscar seus ideais, lutarem por seus objetivos. Eu sou o primeiro a defender isso. Agora, onde está escrito que não devemos utilizar de nossa inteligência - tanto racional quanto emocional - para conseguirmos o que queremos? Em que livro se lê que devemos sofrer para conseguir algo, e que só as coisas sofridas é que realmente têm valor?
Eu fico triste com isso. Fico triste por não poder te ajudar. Fico triste porque somos pessoas que valorizamos as verdadeiras intenções, e sofremos porque não encontramos aquela sombra gostosa para descansar.
Mas, como eu li em algum lugar, precisamos encontrar nosso próprio canto dentro dessa loucura que se tornou essa vida bitológica.

Hay tiempo ainda.
Hoy estamos viviendo lo Dia Internacional de Hablarse Portunhol. E, como hoy ainda és hoy, yo faço miña parte.
“Oh, if there’s one thing I hang onto
That gets me thru the night
I ain’t gonna do what I don’t want to
I’m gonna live my life
Shining like a diamond, rolling with the dice
Standing on the ledge, I’ll show the wind how to fly
When the world gets in my face
I say…
Have a nice day!
Have a nice day!”
(Have a Nice Day - Bon Jovi)
É exatamente assim que eu estou me sentindo hoje.
Não costumo fazer propaganda em blog. Acho que é um espaço meu, que utilizo para escrever sobre coisas minhas. Entretanto, acho que é de interesse meu e de todos a restituição de 30% do ICMS pelo governo paulista.
Longe de mim defender este ou aquele partido político ou seus representantes. Mas a idéia é boa. Consiste em restituir 30% do valor do ICMS pago pelo consumidor em cada compra efetivada. Para isso, basta exigir a nota fiscal (não cupom) e informar seu CPF.
Após se cadastrar no site, você obtém um login e senha para acessar ao sistema e verificar quanto foi creditado em sua conta. Em seis meses, você já tem direito de utilizar este valor, que pode ser transferido para conta corrente, fatura do cartão de crédito, ou abatimento no pagamento do IPVA (mais detalhes aqui).
Se vai funcionar, ainda não sei. Mas é a primeira vez que uma iniciativa concreta foi tomada pelo sistema para desonerar a população.
“Leiam sem especular. Nem sempre o que é escrito é sentido, desejado ou vivido. Considerem a imaginação pela imaginação e os blogs poderão voltar a ser legais como eram cinco anos atrás. Leiam porque gostam do que a pessoa escreve, questionem suas idéias, abram os braços para os poetas e não se curvem diante de links. Não deixem que os blogs se tornem mais um apanhado de veiculos sem alma nesse mundo besta onde tudo vale um punhado de dinheiro ou um tanto de fofoca. Não deixem…”
(Alê Félix)
Eu não sei se existe um momento certo para cada palavra. Talvez sejam as palavras que fazem daquele momento o certo. De qualquer maneira, acho que está na hora de escrever sobre algumas coisas que me desagradam - ou não.
É interessante perceber a natureza das relações humanas, permeadas por essa grande e misteriosa força chamada tecnologia. Como dizia o email que recebi há alguns dias, estamos na era de mandar uma mensagem no MSN para chamar o colega que está do seu lado para almoçar. Ou senão, discar zero em casa antes de fazer alguma chamada (qualquer dia coloco este email por aqui). A questão é que, dadas as desconfianças naturais do homem, estas se acentuaram excessivamente - e até certo ponto, como uma reação natural. Hoje, uma amizade não é suficientemente forte para que uma palavra seja o bastante. E o contrário é verdadeiro.
Eu já acreditei na bondade das pessoas. E também já desacreditei completamente delas. Agora, percebi que o ponto fundamental não é a generalização, mas a análise de cada caso. Nossa geração teve que aprender na carne a necessidade de analisar as situações uma a uma, caso a caso. Aprender a levantar os fatos, a identificar as situações, a verificar a presença ou ausência de argumentos que comprovem ou refutem aquilo que antes, talvez fosse apenas aceito.
Essa necessidade de ficar sempre tentando enxergar os detalhes de cada situação torna as relações um tanto mecânicas. Em outras palavras, aquela fluência das amizades foi entrecortada por necessidades de afirmações. E, pra mim, isso acaba destruindo qualquer possibilidade de uma verdadeira amizade.
Uma amizade verdadeira não dispensa a sinceridade, e faz dela um de seus alicerces. Já comentei aqui que se alguém procura uma amizade que concorde com tudo, ou que seja cúmplice de todas as suas ações, compre um João-bobo. Amigo é aquele que questiona, aquele que - de novo - analisa a situação e dá a sua opinião, seja ela igual ou diferente da sua. Mas, acima de tudo, com sinceridade.
E não basta apenas isso. Tem que haver carinho, cumplicidade, respeito. Todos aqueles sentimentos que já conhecemos. Fundamentalmente, confiança. Não entra na minha cabeça um relacionamento (seja ele qual for) no qual não exista confiança. Um namoro meu já terminou por causa disso, e de outras coisas. Várias amizades foram-se justamente porque havia tudo, menos confiança. Não se brinca com os sentimentos das pessoas. Não se brinca com a palavra das pessoas.
Eu gosto de você. Talvez você não entenda, e com certeza você não acredite. Mas eu gosto. E quando te disse que não seria capaz de estragar essa amizade, estava sendo sincero. Quando estava com você nos momentos mais difíceis, era com todo meu coração que estava ali, com carinho e respeito que toda a amizade pede. When I told you about my feelings.. it was true. Ainda assim, faltou aquilo que não poderia faltar.
A vida é feita de escolhas. Caminhos que nos levam aos lugares que queremos, e alguns que nos remetem a momentos e lugares que não queremos. E, apesar de parecer que não, a vida é sim uma via de duas mãos. É absolutamente possível dar um passo atrás, ou dois, ou três. Mas, cada dia que passa isso se torna mais e mais difícil, porque a verdade machuca, mas a ferida cicatriza; a mágoa nos fere de uma maneira que não cicatriza nunca.
Não adianta te dizer que minha consciência está tranquila - porque ela está. Não adianta te dizer que sou responsável pelo que faço, e não sou responsável por aquilo que não faço. Não adianta te dizer que eu entendo sua decisão - porque entendo, embora não aceite. Respeito-a sim, porque se tivesse no seu lugar talvez faria o mesmo. Pode parecer loucura, mas sempre haverá uma caneca de chocolate esperando por você.
Acompanhe a seqüência:
Manipulação de imagens ajuda Interpol a identificar pedófilo (08/10/2007)
Interpol identifica suspeito de pedofilia na Tailândia (15/10/2007)
Duas crianças tailandesas denunciam pedófilo canadense (18/10/2007)
Pedófilo procurado pela Interpol é preso na Tailândia (19/10/2007)
Fonte: G1
Eu sempre acreditei no poder dos blogs. No poder que as pessoas que têm acesso à informação possui. Eu sempre imaginei um dia poder dizer que nós, membros deste mundo virtual, ajudamos a construir um mundo melhor, e deixamos de ser hipócritas ao nos trancarmos em nossa vidinha virtual particular.
“Agora, pela primeira vez em sua história, a organização (Interpol) pede aos internautas que ajudem na identificação desse homem acusado de abusar de menores do sexo masculino. Nas imagens alteradas e divulgadas on-line, ele aparecia junto às crianças.”
E em menos de duas semanas, o cara é preso.
A partir da ajuda de internautas.
Se essa mobilização mundial feita para prender um pedófilo deu certo, quantas coisas mais não poderiam ser feitas?
Alguém ainda duvida do poder que nós temos?
Este post provavelmente não ficará tão completo quanto eu queria, mas isso não é motivo para não escrevê-lo.
Estava pensando no fim de semana em tudo o que já fui (e não fui) na vida até agora. Graças às conversas entre eu e Oliveira, que sempre ressuscita alguma lembrança que hoje é assaz engraçada. Algumas até me fazem pensar coisas do tipo “Como eu tive coragem pra tanto?”.
Eu já entrei no banheiro das meninas quando brincava de pega-pega; já fugi da escola; já fugi de casa. Já ganhei bombom por bom comportamento; já levei bronca dos meus pais porque fui parar na diretoria. Já fui o mais popular da escola; já fui o mais odiado da escola. Já chorei porque tomei um fora; já dei foras que fizeram chorar. Já apanhei na saída do colégio, já fingi que estava doente para não ir na aula; já coloquei bombinha no banheiro da escola.
Já fui coroinha; já passei um tempo em um mosteiro; já fui até Jesus Cristo (que teve que ajudar a levantar a cruz porque os soldados não aguentavam). Já fui fanático, já fui cético (estou mais cético do que fanático). Já deixei namoradas porque era da Igreja; já deixei a Igreja por causa de namoradas. E cheguei à conclusão de que ambas as atitudes foram idiotas.
Aliás, já fui brilhante - e já fui idiota. Já fui o artilheiro, o homem mais importante do time; já fui o mané que fez gol contra, ou que tomou aquele drible desconcertante. Já caí de bicicleta, já capi correndo, já caí andando. Já atropelei uma menina com a bicicleta (e todo mundo acha que foi um cachorro até hoje); já fui atropelado com a bicicleta. Já quebrei o braço direito, e o esquerdo também; já quebrei dedo, e nunca quebrei mais nada porque também não era tão terrível assim.
Já fui atendente de telefone; já fui aprendiz de técnico de som; já fui locutor de rádio de bairro; já fui técnico de som (e dos bons). Já fui fotógrafo; já fui foca (jornalista iniciante). Já fui cobrador e vendedor; já fui guardinha da Área Azul. Já vendi bolo pra sobreviver; já sobrevivi com muito menos do que tenho hoje. Já ajudei pedreiro em casa - e não levo jeito pra isso.
Já fui mulherengo; já fui apaixonado. Já amei, e não foi uma vez. Já sofri, e quem dera se tivesse sido apenas uma vez. Já confiei em muita gente que não deveria; já deixei de confiar em pessoas que realmente mereciam. Já abandonei amigos por causa de uma ou outra pessoa, e me arrependi muito disso. Já abandonei pessoas que mereciam ser abandonadas.
Já fui mais magro; já fui mais gordo; já fui mais bonito. Já tive um preparo físico invejável; já joguei futebol 6 dias por semana; já quase morri com pressão alta por causa do sedentarismo. Já comecei academia; já parei de ir em academia; já comecei a correr; estou quase parando de correr. Nunca comecei a nadar porque não sei, mas já comecei a aprender e já parei também.
Já comecei um blog; já terminei um blog. Já comecei um álbum de fotos, mas há tempos ele não vê novas entradas. Já tomei porre; já prometi nunca mais beber, e já quebrei a promessa várias vezes. Já vi o sol nascer, já vi o sol se pôr; já tomei banho de chuva, e peguei gripe por causa disso. Já paguei mico porque não sabia usar o caixa eletrônico; já ajudei pessoas que nãoi sabiam utilizar o caixa eletrônico.
Já me lembrei de muitas coisas pra escrever aqui, e já esqueci boa parte delas. Então, este post fica por aqui. Com a certeza que hoje eu sou uma mistura de tudo isso, e muito mais que não me lembro agora.