Quase tudo o que escrevo neste blog tem um motivo. Algumas coisas são desconexas, como nossos pensamentos são muitas vezes desconexos. Mas, via de regra, um fato ou uma idéia desencadeiam palavras.
Quando escrevi isso aqui, teve um motivo. E consigo me lembrar como se tivesse sido ontem como me senti, como achei estupidamente idiota tudo o que aconteceu, e o quão chateado fiquei com o que tinha acontecido.
O que aconteceu? Não interessa. O fato é que, na época, queria muito que tudo se esclarecesse, motivado por um sentimento infantil de “gostinho da verdade” - nós, adultos, damos a isso o nome de orgulho. Entretanto, ficou esquecido no tempo esse fato, e os envolvidos nele (infelizmente).
Todavia, fico surpreso quando descubro que, de alguma maneira, as coisas se resolveram. E tudo foi esclarecido. Nessa hora, era para eu ficar feliz, com meu alter ego gritando “Eu sabia!! Eu sabia!!“. Mas fiquei triste. Porque, de alguma forma, eu já sabia a verdade, e ela não. E o sentimento de tristeza por ela ter sido enganada (e ter descoberto isso) foi maior que o orgulho.
Acho que estou desregulado, precisando de revisão.
(Postado por email)
Minha empresa está bloqueando o acesso aos blogs. Eu nem critico, já que teoricamente estamos lá pra trabalhar.
Mas a maioria das minhas idéias vêm enquanto eu trabalho. Então, este é o primeiro post por email deste blog.
Durante o tempo que me dediquei à escrita do meu trabalho de conclusão de curso, abandonei parcialmente este blog, e agora percebi uma outra coisa. Este espaço está sentimental demais. Talvez seja reflexo de um período de instabilidade por causa da incerteza do TCC. E a instabilidade é uma das principais canções do duende sentimental que temos em nós.
Mas o TCC acabou, e com ele acabou também a instabilidade.
Voltamos à nossa programação normal.
Sou só eu que estou ouvindo, ou os sinos repicam de alegria?
Preciso urgentemente de uma cama.. acho que dormirei pelas próximas 18 horas.
Depois eu volto ao normal.
Eu estava conversando com um homem, de aproximadamente 40 anos, enquanto ia para a faculdade. Ele me mostrava um caderno com muitas anotações, muitas folhas escritas à mão, aparentemente organizadas como capítulos de um livro. Foi quando me disse que eram todas as histórias de sua vida, que ele conseguiu escrever naquele caderno, que era o terceiro de uma série de oito.
Folheou calmamente até meados do caderno, quando murmurou algo que não entendi (provavelmente um “Aqui está!”), e me pediu para ler. Em um primeiro momento recusei, alegando que não tinha o direito de tomar contato com aquelas palavras. Mas ele argumentou que ali havia histórias que ele já conhecia - porque as tinha vivido -, mas os outros não. E de que adianta saber histórias e não contá-las? Então, peguei o caderno e comecei a ler algo como o que reproduzo abaixo.
Ouvir já não é suficiente. Ver já não basta. A sobreposição de sensações talvez reflita a sinestesia de sentimentos que tomam conta da gente de maneira tal, que em alguns momentos apenas nos entregamos.
Não imaginamos um mundo de problemas, onde todos nos condenam por nossas atitudes, onde tudo o que fazemos nunca é suficientemente bom. Nos transportamos para aquele campo verde, à beira do lago, onde se vê um barco amarrado à margem, com uma casinha simples mas aconchegante. Lá sabemos que é nosso lugar.
Andamos juntos por muitos lugares - e algumas vezes caminhamos sós, porque ainda somos eu e você, mesmo quando somos nós. Sentimos a força de um exército espartano pronto para a guerra quando pensamos um no outro, e por um breve instante acreditamos que é possível.
E por que temos que acreditar desacreditando? Por que não apostamos nossas fichas? Por que não nos damos o direito de abraçarmos nossas escolhas? Afinal, do que temos medo? De nós? Deles? Não, é de nós. Mas aí fica a sensação de que temos medo de sermos felizes, embora incoerentemente lutemos sempre para encontrar a felicidade.
Até quando vamos fingir um para o outro que o que sentimos não é real? Até quando vamos fingir que nada está acontecendo? Até quando teremos que esperar até que nossas consciências acordem para o tango que nossos corações já começaram a dançar?
Atordoado, perguntei porque ele havia me dado aquilo para ler.
E ele respondeu: “Todos nós temos uma história parecida, algo que nos pega de surpresa, nos tira da nossa vida pacata e comum, nos arranca da nossa rotina com a força de um tufão. Eu perdi muito tempo esperando minha consciência se convencer dessa dança. Por sorte, mesmo depois de tanto tempo vou encontrá-la, para terminarmos o que nossos corações começaram há 18 anos. Não siga o mesmo caminho que eu. Não espere para começar a ser feliz”.
A vida continua naquele aperto maldito. Se bem que esta frase ficaria talvez mais precisa se apenas fosse “A vida continua”. Às vezes imagino uma sala cheia de pessoas com suas máquinas de escrever, como deveriam ser as redações dos jornais antes da chegada do computador. O barulho das teclas batendo associadas aos recuos de linha estalantes me remetem a uma sensação exatamente como a que tive agora, com esta frase. A vida continua.
E como é divertido conhecer as pessoas aos poucos. O jeito de cada um de se relacionar com o próximo, de se isolar numa tarefa quando é necessário. E não é que temos talentos escondidos atrás dos monitores das saletas da minha equipe na empresa?
Como disse há alguns posts, estou me sentindo cada vez mais disposto a escrever, embora não tenha vontade de escrever meu tcc. Cada vez mais disposto a aprender a tocar violão decentemente - e não aquilo que fazer as notas e tocar três ou quatro músicas adolescentes. Cada vez mais disposto a me importar menos com a balança e mais com a meia hora de contato com o mundo que tenho pedalando perto de casa.
E por que a máquina de café sempre quebra na sua vez?
Ele criou coragem e falou a Ela tudo o que sentia. Essa coragem vinha de algum lugar desconhecido para Ele, já que acreditava que ela até pudesse existir Nele, mas estava tão bem escondida em algum canto que não sabia se a veria de novo.
Ambos fitaram-se, e naquele silêncio surdo (rompido raramente pelo baruho de um carro ou uma voz distante) perceberam que se amavam, que se queriam tanto e tão intensamente, que beirava à necessidade. Ela tocou seu rosto com a ternura de quem sabia que estava fazendo o correto, embora se questionasse internamente se era correto magoar uma pessoa com tamanha grandeza.
Ele tocou seu cabelo, e a colocou nos ombros. Aquele abraço duraria uma eternidade se preciso, se permitido. Sentir sua respiração, ouvir as batidas do seu coração, deixar que o mundo continue a girar para todos exceto para eles dois, ali naquele banco, enquanto se olhavam.
Eles não precisavam falar com palavras aquilo que os olhos já haviam percebido. Embora em alguns momentos Ele tivesse o impulso de não ser Ele, Ela o controlava, o acalmava, e mostrava que estava tudo bem. Embora Ela tivesse a certeza do que queria, nem sempre seu olhar disse o que seu pensamento quis, cambaleando para os lados do que seu peito, que cantarolava Elis.
De fato, não há como viver o ontem, não inventaram ainda uma máquina capaz de voltar o tempo. E as oportunidades são como uma flor que desabrocha apenas uma vez, ou como aquele raro bonsai que durante poucos minutos do ano permanece radiante, antes que murche novamente. Eles sabiam (talvez bem mais Ele) que não era o tempo deles. E cabia àquelas almas respeitarem (ou não) essa força. E escolheram por respeitar.
Ele sabe que aquela conversa mudou a sua vida para sempre. Ela sabe que todas as atitudes que tomar terão um pouquinho Dele, do que Ele disse ou simplesmente ouviu Dela. Ele tem em seu peito a força de um homem jovem (embora nem tão jovem assim), e ela sente nas veias a alegria do sangue novo. Isso talvez remeta ao fato de que nem toda história tenha um final feliz, embora todas acabem tendo um fim.
Ele será sempre Dela, de alguma forma. E Ela sabe disso, assim como sabe também que não poderá mais cruzar seu olhar com o Dele sem imaginar como seria “se”. E disso tudo Eles têm a plena certeza de que o sabor daquele beijo não acontecido foi o mais espetacular de suas vidas.
Como diria o poeta, “o tempo não pára”. O trabalho com meu tcc e na própria empresa estão me consumindo deveras. Às vezes sinto minhas forças simplesmente acabando, como um ponteirinho indicador do tanque de gasolina que desce enlouquecidamente.
Mas estou eufórico. Que coisa doida é essa?
Acabei de descobrir que um domínio .com pode ser registrado sem sequer documentos - basta pagar. Entretanto, um domínio .com.br só pode ser feito por uma pessoa júridica, mediante comprovação da atividade exercida.
Para entender, clique aqui e aqui.
Esse país é uma merda.
Uma das piores sensações que existem é a de incapacidade. Perceber que se é pequeno demais, ou lento demais, ou rápido demais, ou inapto demais, ou simplesmente que não há mais tempo.
Ontem ouvia um companheiro de trabalho falando a respeito de um amigo que está à beira da morte com 25 anos. Este o ligou para conversar, e fez um pedido: “Viva sua vida, porque ela é uma só“. Nosso consciente sabe disso, obviamente. Mas quando a mensagem vem em situações como essa, acaba atingindo também nosso inconsciente.
Neste exato instante, estou lidando com algumas destas incapacidades. E não sou um fervoroso pelo embate a ponto de lutar com todas as forças. Não deu, não deu. A não ser no caso do meu TCC - este sim precisa ser terminado.