mar

28

Ajustes

Existe um momento na vida de uma pessoa no qual ela se forma, se constrói. É ali, naquele restinho de respiração, naquele piscar de olhos, que tudo se resolve.
Como está escrito num livro meio velho, “quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Agora sou adulto, e parei de agir como criança”.

mar

26

Expressividade

Me mandaram como se fosse do Mário Quintana, mas se eu escrevesse tão bem assim, não deixaria à toa na internet.

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor… não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante pode ou não ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar!
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.
Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

(Mário Quintana)

mar

17

Borboletas

Acho que nunca fiquei tanto tempo sem escrever alguma coisa aqui. Enfim, coisas que acontecem quando se tem um notebook, e se tenta instalar o Vista. Sim, senhores e senhoritas, o próprio sistema da Microsoft ferrou com todas as partições do meu computador (para quem não sabe o que é uma partição, entenda como fudeu meu HD, porra!).
Entretanto, isso é apenas uma desculpa esfarrapada para minha impaciência e minha preguiça. Estou desanimado, com pouca (ou nenhuma) vontade de escrever sobre nada. Tanto que já estou terminando o segundo parágrafo e ainda não disse absolutamente nada de útil.
Eu poderia comentar sobre minha quase-depressão, ou sobre minha forte decepção com relação às pessoas. Mas prefiro falar sobre assuntos mais leves e interessantes, como o procriar das borboletas tibetanas.
As borboletas tibetanas são exemplares raros de beleza. Elas surgem tão rapidamente que mal se consegue notar suas presenças. Uma borboleta dessa espécie pode atingir tamanha especialidade e beleza, que alguns biólogos defendem a teoria de que a imagem do bater de suas asas nunca mais sai da memória de quem tenha visto.
Elas possuem um ciclo de vida muito curto, de aproximadamente uma estação. Ainda assim, são capazes de contribuir positivamente com a natureza, espalhando pólen pela floresta, e trazendo alegria para as crianças dos arredores de Matichan, uma tribo indígena do norte do Tibet. Quem tem a sorte de encontrar uma borboleta dessas revê toda sua vida, e sente uma intensa vontade de abandonar tudo para viver com ela.
Se você não entende de borboletas, não se preocupe. Eu também não. Mas para quem entende algumas meias palavras, sabe muito bem do que eu estou falando.

mar

9

Até quando…

Até quando eu vou me enganar, e me deixar levar pelos sentimentos?
Cada dia mais eu entendo House, e sinto vontade de ser como ele.

mar

8

Movimentos lentos

Estou na casa dos meus pais. E vou ficar o fim de semana todo sozinho, já que eles foram viajar.
Fazia muito tempo que eu não ficava tão silencioso, e quem me conhece sabe quanto isso é raro. Para ajudar, a pilha do relógio da cozinha acabou. Ver aqueles ponteiros parados me dá a angustiante sensação que minha vida também parou.
Acho que vou ao supermercado comprar outra pilha.

mar

5

Noções

Eu comecei a escrever em um outro post, mas ele se perdeu no meio do limbo da internet.
Eu falava nele sobre como a noção de tempo é relativa, e como isso tem me incomodado ultimamente.
Exemplificando, semana passada vivi experiências distintas, e contrastantes. Me formei oficialmente na faculdade - agora sou enfim engenheiro. E parece que todos os cinco anos de curso se passaram como um raio na minha frente, e eu me via no dia que cheguei naquela faculdade, altamente perdido, sem saber o que seria da minha vida. No mesmo dia, aconteceu algo que eu esperava há tempos entre eu e uma pessoa, um tempo relativamente longo até, mas parece que toda a espera simplesmente perdeu seu valor, devido ao rumo que as coisas tomaram.
Como é possível medir o tempo em segundos e minutos e horas, se nossas experiências são as que realmente determinam nossa maturidade? Como dizer “Agora você é um adulto” a uma pessoa que completa 18 anos, se a maioridade é muito mais do que uma data cronológica, mas um conjunto de sentimentos e pensamentos que devem estar suficientemente amadurecidos para enfrentar algumas situações da vida? Essa incoerência tem me feito pensar muito sobre os rótulos que as pessoas colocam em você conforme o tempo cronológico passa - “tá na hora de comprar um carro” ou “tá na hora de casar“. Coisas realmente assustadoras para a realidade que eu vivo hoje.
Não quero desvalorizar nem comparar situações e sentimentos. É apenas uma observação (talvez ridícula e desnecessária) de que o tempo passa, tanto cronologicamente quanto sentimentalmente, e não há como fugir deles. Tenho a impressão somente que cada vez mais estou um ranzinza rabugento, com flashes de felicidade. E eu acho que antes era o contrário.

(Postado via email)