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Comprando um Carro - Parte IV

Cheguei na loja pouco depois da dona do carro ter deixado o próprio lá, como entrada para a compra de um modelo zero quilômetro De certa forma, isso foi ruim porque vi o carro como ele estava (sujo, sem nenhum preparo, e já em hora avançada - quase 7 da noite). Por outro, foi bom ver o carro nessa situação para ter noção de como a mulher utilizava e cuidava do carro, fora que consegui evitar as famosas maquiagens que as lojas aplicam nos carros, para deixá-los mais atraentes.

À primeira vista, o carro estava muito bom. Só não diria impecável porque existiam alguns pequenos retoques de pintura que deveriam ser realizados (e que, por estarem em locais de pouca interferência estética, pedi que não fossem feitos). Toda a parte mecânica estava em boas condições - ao menos aquelas possíveis de serem verificadas sem desmontar nada. E, no fundo, é como um amigo comentou comigo poucos dias antes. Devemos sim ter cuidado com o carro que escolhemos, verificando a procedência e o estado de conservação, mas também devemos dar valor àquele pelo qual nos interessamos mais, aquele que mais nos despertou a atenção. Quase consigo ouvir minha avó dizendo: “quem muito escolhe acaba escolhido“.

Eu gostei daquele carro. Ele tinha recompensado a espera durante todo o fim de semana que passei procurando por carros. E decidi comprá-lo depois que verifiquei alguns dos pontos mais importantes, os quais reproduzo aqui.

- Veja se o carro já foi batido alguma vez. Isso é possível através da análise das soldas do carro. Se você não sabe o que é isso, vá até a parte traseira do carro, e abra o porta-malas. Depois, olhe os cantos do carro: lá existem pequenas tiras de solda que devem estar uniformes e inteiras, sem nenhuma interrupção ou emenda. Faça a mesma coisa para a parte da frente;

- Verifique de maneira simplista a condição dos amortecedores, apoiando a mão no capô do carro e fazendo movimentos verticais, como se fosse balançar o carro mesmo. Se o carro descer e subir mais de duas vezes, é sinal que o amortecedor pode estar comprometido;

- Teste todas as luzes do carro: faróis, setas, luzes internas, pisca-alerta.

- Dê uma volta no carro, veja se a embreagem e o câmbio estão fazendo algum tipo de barulho, se estão muito duros ou muito moles. Não são condições desejáveis;

- Ouça o barulho do motor do carro. Isso com certeza não é conclusivo, mas por incrível que pareça, é fácil questionarmos se existe algo errado quando ouvimos um barulho que não estamos acostumados a associar ao funcionamento de um motor, como uma peça batendo, por exemplo;

- Se possível, obtenha o RENAVAN e o CPF do proprietário, e veja se existem pendências de multas e impostos. Isso é possível neste endereço aqui (pra quem não é de São Paulo, basta procurar o endereço do Detran do seu Estado);

- Se quiser, leve um mecânico de sua confiança para ver o carro com você. Embora a loja ofereça a garantia de motor e câmbio, isso não impede que algo que precise ser trocado simplesmente não seja porque possivelmente não dará problemas em três meses.

Depois de tudo isso, fui para a mesa de negociação, e aqui gostaria de dar uma dica pra quem for comprar um carro um dia. Nunca pense que você vai conseguir ganhar alguma vantagem da concessionária. Eles SEMPRE ganham, e você SEMPRE perde. O máximo que você pode fazer é minimizar os efeitos de ambas as constatações. E foi o que tentei fazer. Consegui pagar o preço de tabela, pedindo que ele trocasse tudo que estava mal conservado ou ruim na aparência do carro. Por força de lei, a loja me oferece 90 dias de garantia sobre peças do motor e do câmbio, e fiz questão de deixar claro que sou chato o suficiente para levar o carro em uns dois mecânicos e que se algum deles achasse algo estranho, eu voltaria lá. Depois de tudo acertado, o carro era meu.

Comprei o carro numa segunda-feira, e o vendedor me garantiu a entrega na sexta. Uma etapa importante é deixar todos os acordos feitos durante a negociação registrados, seja no contrato de compra e venda do veículo, seja em um documento à parte assinado por ambas as partes. Assinamos os papéis, e comecei a dar entrada da documentação necessária para a liberação do meu empréstimo no banco - afinal, eu precisava pagar o carro. E ai começaram minhas dores de cabeça, a tal ponto que pensei em desistir de comprar o carro, de tão grandes que eram as barreiras burocráticas.

(continua…)

A história toda:

Comprando um Carro - Parte I
Comprando um Carro - Parte II
Comprando um Carro - Parte III
Comprando um Carro - ParteI V


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