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Música de uma nota só

Qual é o mérito em comemorar uma derrota? Ah, mas eles ficaram entre os cinco melhores do mundo! E daí? Alguém já viu prêmio para o quarto lugar? Até mesmo para o segundo ou o terceiro, essa história de premiar a derrota só começou na Idade Moderna. Nas primeiras Olimpíadas, somente os vencedores subiam ao pódio e recebiam os louros da vitória.

Não podemos desmerecer o esforço daqueles que lutaram para ficar em décimo. Concordo. Mas não foi um esforço suficiente. Tirando alguns esportes que não são justos (entre eles o futebol), a maior parte é composta por atletas que vencem porque são melhores que os outros. E porque os brasileiros não são os melhores? Porque são incapazes? Não, é porque não tem dinheiro. Simples. E eu nem questiono de onde viria esse dinheiro, só afirmo que não tem.

O Flávio Gomes deu uma idéia inteligente e perfeitamente realizável para começar a mudar esse cenário. De quebra, diminuiria essa palhaçada de abrir uma faculdade em cada esquina de cada cidade grande do país. Não adianta bater na mesma tecla de que o governo deveria apoiar e blá blá blá… Caia na real (se ainda não caiu): o Estado no Brasil não trabalha para o povo; trabalha para manter o próprio Estado, inclusive aqueles que o compõem - como diria o filósofo Capitão Nascimento. Aliás, se tivessem uns dois Nascimentos na equipe brasileira das Olimpíadas, teríamos bem mais do que uma medalha de ouro importada.

Importada porque ela não é nossa, não é do Brasil, nem mesmo da Confederação Brasileira de Natação. É apenas do Cielo, só dele. No máximo, da família. Juntos, eles ralaram lá fora, passaram por privações, dificuldades, problemas, saudades. Ninguém passou a mão na cabeça desse cara, mas ele seguiu em frente. A Globo não fez matérias especiais com a mãe dele no Pan do Rio de Janeiro, ele sequer foi destaque nas transmissões. Mas um campeão está preparado pra enfrentar tudo isso. Por isso a medalha é dele.

Muita gente criticou a atitude do atleta sueco que abandonou a medalha de bronze porque achava que merecia o ouro. Eu vi a luta e não entendo bulhufas das regras da luta greco-romana, mas na hora que o juiz inverteu a marcação, imediatamente o comentarista apontou o erro do juiz. Ou seja, o cara tava certo. Pode ter sido arrogante, precipitado, digam o que quiser. Mas ele não abaixou a cabeça para um bronze.

É como um amigo acabou de comentar aqui: brasileiro adora criticar outros países, colocar a culpa no técnico da seleção, apontar os defeitos de todos. Mas no fundo, somos todos invejosos. Eu completaria dizendo que, além da inveja, o comodismo também reina por essas bandas.


3 palpites

Parabéns, mocinho. Estou meio sumida e ainda não li seu novo site, mas tô viva. Depois venho e faço um comentário decente. ;)
Beijo.

Não lembro em que blog comentei que sinto um misto de tristeza e vergonha pelo desempenho do nosso país nessas Olimpíadas. Vergonha pelo não investimento nos esportes que deveríamos ter por aqui, resultando nisso que estamos vendo, e tristeza por ver atletas nossos que lutam para ganhar, mas não conseguem por pura falta de preparo. Outros até conseguem, mas como você disse, por esforço próprio, sem a devida ajuda do país que representam. Foi o caso do ouro do Cielo e eu diria que até da prata sofrida das meninas do futebol.

Pelo menos essa deprê toda tá servindo pra uma coisa: ver alguns canais de TV se ferrando enquanto tentam ridiculamente manter o interesse das pessoas numa programação furada. Também dá vergonha, mas é tão ridículo que torna engraçado assistir alguém que comemora tão energicamente a caralhésima posição no quadro de medalhas…

Sem Palavras. Só afirmo que um ponto de vista bem considerável. (…)

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