Você fica enrolando durante três belos dias ensolarados para lavar roupa, por preguiça, compromissos, cansaço. Quando resolve lavar, chove.
Você fica duas semanas com o carro sujo, porque está sem tempo para lavar e deixá-lo brilhando. Quando consegue um tempinho, chove.
Há tempos você está planejando fazer aquele passeio de bicicleta, com 10km de percurso, numa bela manhã de sol. E, no fim de semana, chove.
No trabalho, você enfrenta uma das piores semanas da sua vida. Muito trabalho e calor, pouco ou nenhum tempo livre. Mal consegue tomar um café, encurta os períodos de almoço. Você está louco para que o fim de semana chegue logo e, quando chega, chove.
O termostato da natureza está precisando de manutenção.
Imagine um país com vários estados, semelhante ao Brasil. Agora, imagine que estes estados possuem suas próprias economias, suas fontes de riqueza e seus problemas, de tal forma que o capital que produzem é suficiente para a sobrevivência do sistema, e apenas isso.
Diante disso, um dos estados começa a se destacar e produzir mais. Conseqüentemente (eu ainda uso o trema!), o superávit é maior e o excedente produzido é enviado para o poder central, algo como nossa Brasília. Esse dinheiro é então utilizado para tapar os buracos dos outros estados deficitários, sendo que pouco ou quase nada é reinvestido no estado produtor.
O que seria mais correto: destinar boa parte para o estado-fonte, visando aumentar ainda mais o superávit, ou ficar remendando os problemas dos estados que não conseguem gerar lucro?
Agora, imagine o mesmo cenário dentro de uma empresa, composta por vários departamentos (ou diretorias), sendo que alguns dão lucro - que é capitalizado pela empresa como um todo - e outros dão prejuízo. O que é mais justo para um administrador: destinar parte daquele lucro para aquele departamento continuar motivado e produzindo cada vez mais, ou ficar remediando o elefante obeso e velho que é a estrutura da empresa?
Meditações de uma fila de supermercado.
Dois jovens homens viviam em uma pequena cidade, e um dia foram premiados por uma promoção com dezenas de milhões de reais cada um. A cidade viveu uma grande agitação, emissoras de TV foram atrás de ambos para entrevistas, reportagens, curiosidades. Foram dias de glória para a pequena cidade. Entretanto, aquele concurso tinha uma peculiaridade: o primeiro bem que os premiados deveriam comprar seria o túmulo de cada um, e com a necessidade de que um fosse imediatamente ao lado do outro.
Apesar de estranho, a exigência foi cumprida e os dois puderam aproveitar seus prêmios. O primeiro começou imediatamente a gastar tudo, enquanto o segundo retirou apenas o suficiente para uma ajeitada inicial na vida e depositou o restante no banco, para viver de rendimentos. E a vida seguiu. O primeiro comprava o que queria, ajeitava a vida de alguns, vivia sempre cercado de pessoas que ele tinha consciência que não eram suas amigas. O segundo não ajeitou a vida de ninguém, não comprou nada extravagante nem realizou algum sonho de criança, mas também vivia cercado de pessoas que sabia que não poderia confiar.
Dois anos depois do sorteio, o primeiro morreu em um acidente de carro. Foi uma comoção geral, a cidade toda foi ao enterro, ainda que ninguém tivesse alguma ligação efetivamente sentimental com o defunto. Como não possuía esposa ou filhos, todo seu dinheiro foi doado para orfanatos. O túmulo foi fechado, as pessoas foram pra casa e começou a chover.
O segundo viveu durante muitos anos, e morreu bem velhinho. Quando isso aconteceu, poucas pessoas apareceram em seu velório, já que quase ninguém mais sabia quem ele era. Se casou, separou-se anos depois; casou-se novamente, separou-se a seguir. Entre 4 casamentos e 6 filhos, seu túmulo foi fechado, os herdeiros foram para seus advogados e uma intensa briga judicial se arrastou por anos e anos por causa de sua herança.
Moral da história: viva feliz ou triste, satisfeito ou incompleto, sem pensar no amanhã. Ele pode chegar, como também pode não chegar. Do que adianta acumular riquezas e viver como um monge, se depois tudo o que sobra são inimizades e rancores? Rico ou pobre, quase todas as pessoas que o cercam estão ali por interesse. No fundo, o que importa é apenas o que você faz e o que você sente.
Alguém comentava agora no almoço sobre como tinha amadurecido nesses últimos meses, com a mudança de cidade e com o fim do casamento. Apesar de ser um assunto delicado para se tratar entre amigos de trabalho, a conversa foi caminhando até o ponto que alguém perguntou se ele não quis dizer o contrário. Ele foi categórico ao reafirmar: o fim do meu casamento me tornou um homem.
É cada vez mais comum esse tipo de atitude. A geração PlayStation2 começou a se envolver muito cedo, a se relacionar muito seriamente muito antes da hora. Daí sempre tem quem afirme que não há hora certa para isso, e eu até concordo em partes. Essa afirmação, como na matemática, tem uma condicional: ela só é válida a partir dos vinte e alguns anos de idade. Antes disso, esqueça! Ela nunca será verdadeira.
Eu mesmo me busco no começo da faculdade e vejo como era irresponsável imaturo. De certa forma, eu deveria ser mesmo: era o tempo propício para isso. Se eu me comportasse hoje como naquela época, aí sim poderiam me internar. Em resumo, três parágrafos para falar o que todo mundo já sabe: que a vida é um amontoado de etapas que não devem ser desperdiçadas nem vividas ao extremo.
Voltando à mesa, o casamento durou pouco mais de 4 anos. Não tiveram filhos, o que facilita bastante as coisas nesse momento. E era nítida a calma com que ele falava sobre tudo isso - de fato, ele está bem mais dono de si. Segundo ele próprio, os dois terminaram numa boa, continuando amigos apesar do casamento não ter dado certo. A conclusão geral foi que começaram a namorar muito cedo, passaram 7 anos juntos antes do casamento. Somando os 4 anos de divisão de teto, já são 11 anos. Um tempo respeitável até mesmo para os casais mais velhos.
Em compensação, tem gente que nunca cresce. Não importa o que aconteceu ou acontecerá, sempre será da mesma maneira e encarará o mundo da mesma forma. E sempre continuará colocando a culpa de tudo no mundo, porque não é do jeito que a pessoa quer.
1. Drops é o nome de um conhecido golpe nas partes baixas masculinas, muito difundido entre adolescentes de 13 a 15 anos, potencialmente perigoso para planos de procriação;
2. Também são notícias conhecidas por serem curtas, rápidas e diretas;
3. O Breno fez um resumo bastante didático da crise internacional de crédito;
4. A próxima corrida da F1 será noturna, a primeira na história da modalidade. Para isso, a Philips utilizou 1500 projetores de luz especialmente projetados para a prova;
5. Uma secretária foi mandada embora por fotos que estão circulando na empresa, nas quais ela aparece fazendo um carinho em um dos gerentes. - E o gerente? vai ficar, picão? - Entao.. nao se sabe se ele é picão (no sentido corporativo), mas às más linguas dizem que ele nao era tão picão assim (anatomicamente, agora).
6. Estou prestes a lançar uma campanha pela volta do ICQ. Se você leu e achou graça, ótimo! Você pode ser um cliente em potencial. Se você leu e não sabe o que é isso, morra!!! faça uma busca no Google;
7. Fiz a primeira tomografia da minha vida. Com contraste! E estou enxergando verde E nada demais aconteceu.
8. É o número cabalístico do Judão.
9. Porque nunca fizeram um Danoninho de 500gr? Ou um Yakult de 1l?
10. Porque toda lista ou qualquer merda do gênero fica bonitinha quando termina em 10.
Tudo começa no sábado, quando eu ganho um convite para uma feijoada com música sertaneja numa casa de festas de Campinas para o dia seguinte. É o tipo de evento que eu até iria (pela comida, não pela música), mas como os planos eram outros, repassei o convite para o Mário* que mora no mesmo pensionato que eu.
Eu gosto desse cara. Ele é gente boa, inteligente, tem umas idéias legais. O único fraco dele, o qual já cansamos de alertá-lo, é a bebida (como se notará à frente). Enfim, o cara ficou todo empolgado, me agradeceu alegremente e, no dia seguinte, lá foi ele todo espertão para a tal feijoada. Junto com ele foi o Luigi*, que mora lá em casa também, chegou há pouco tempo na cidade e ainda não conhece muita coisa e que, justamente por isso, queria ir para sair um pouco de casa.
O dia se passa, eu presumindo que tudo ia bem. Eram quase 21 horas quando eu estava saindo de casa para ir ao cinema quando os dois chegam fazendo um barulho de acordar um surdo. A cena que vejo é Luigi* carregando Mário* nos ombros, absolutamente bêbado (aqui cabem vários sinônimos devidamente incorporados ao vocabulário, tais como travado, mamado, tortinho…). Em um primeiro momento, eu achei que aquilo fosse uma brincadeira dos dois, já que o estado do cidadão era tão crítico que mal parava em pé. Segundo o Luigi*, eles pegaram 3 ônibus para chegarem em casa, e Mário* caiu dos três!!!
Seguindo a filosofia Newtoniana - não se mexe naquilo que pode feder - fui para o meu cinema com minha namorada, deixando o resto do pessoal de casa tomando conta do pudim de cana. O tempo passou, o filme foi muito bom. Volto para casa quase meia-noite e, ao abrir a porta da sala, vejo a cena mais surrealista dos últimos anos. Mário*, em pé… PAUSA
Qual foi a situação mais bizarra que você já viu um bêbado proporcionar? Eu já vi pessoas cantando em inglês fluentemente, gente rolando na grama, gente dormindo na sarjeta. Já vi cachaceiro pulando em piscina sem saber nadar, e se afogando em meio metro de água. Já vi pé de cana rolando escada abaixo, contando quantos fuscas passavam na rua, e alguns mais ousados tentando se matar pulando de uma cadeira. Agora NADA supera o que eu vi ontem. Se meu celular não tivesse sem bateria, eu tinha filmado e colocado no Youtube. Foi ali que entendi a definição de surrealismo. FIM DA PAUSA
Mário*, em pé no canto da sala, MIJANDO alegre e serelepe. Você não leu errado. Ele estava MIJANDO no canto da SALA! Entrei berrando com ele quando percebi que o maldito estava completamente sonâmbulo. Fora que não dava pra chegar perto dele, já que eu corria o risco de ser atinjido por aquele morfético do inferno.
No fim das contas, entrei no meu quarto e fui dormir. Hoje tem empregada mesmo e ela dá um jeito na bagunça (ou não). Só acho que o dono do pensionato não vai ficar feliz com a crise de sonambulismo do pinguço, e Mário* pode ficar sem um lar para morar.
* Nomes fictícios para preservar a imagem(?) dos envolvidos.
Gripe. Um vírus capaz de aniquilar suas intenções de um fim de semana.
Por esta porcaria não ter cura, todas as centenas de remédios que você encontra nas farmácias para a gripe nada mais são do que alívios para os sintomas. Não tem outro jeito senão deixar passar os sete dias de encubação do maldito vírus, à base de chá Vick e dúzias de comprimidos de paracetamol.
O que revolta é que eu fiquei gripado justamente no fim de semana. Dos sete dias da semana, cinco são da empresa, apenas dois me pertencem. E justamente nestes dois eu fico doente a ponto de querer dormir o dia todo? Adicione a esta raiva muita dor no corpo, uma rinite que resolve se manifestar junto com a gripe e dias frios e chuvosos, e se tem o retrato da frustração de um homem.
Se no aspecto sentimental meu fim de semana foi perfeito, clinicamente falando ainda estou mal. Bem mal.
O fim de semana pode ser dividido em três atos. Eu evito muito falar sobre aspectos pessoais da minha vida no blog, porque muita gente confunde leitura com permissão para dar palpite. Mas não há como deixar de comentar sobre o primeiro e mais importante dos momentos deste fim de semana: o aniversário da minha namorada.
Existem vários níveis de interação entre as pessoas durante uma vida. Resumidamente, há três degraus principais: aquelas que cruzam sua vida em um ponto, as que interagem com sua vida de alguma forma (em vários níveis), e aquelas que modificam sua existência e influenciam sua maneira de ser e agir.
O primeiro degrau é constituído pelas pessoas que passam por nossas vidas pontualmente. Nesse degrau estão os cobradores de pedágio, por exemplo, ou a senhora que você ajuda a atravessar um cruzamento em um dia de trânsito intenso. São pessoas capazes de gerar (quando muito) uma pequena lembrança, não influenciando em nada no seu humor, ou nas suas decisões.
O segundo degrau é bem mais complexo, porque ele se subdivide em vários pequenos degraus, conforme a importância que as pessoas assumem em sua vida. Por exemplo, o porteiro do seu prédio é alguém com o qual você conversa todo dia, e depende dele para algumas ações. Seus professores da faculdade, por outro lado, podem não ser figuras diárias da sua vida, mas são capazes de mexer com ela decisivamente.
O terceiro degrau é formado pelas pessoas que gostamos e que gostam da gente. Por estas pessoas sentimos alegria, tristeza, saudade. Geralmente, este degrau é o que contém menos pessoas, mas as mais importantes. E é nele que minha namorada se encontra.
São poucos meses de uma convivência de alegrias e reciprocidades. A sensação de plenitude, de ser completo a cada momento. Ver seu sorriso é tudo o que preciso para sorrir também. Sua felicidade é minha felicidade. Poder proporcionar a ela momentos de alegria é recompensador por cada esforço. Os problemas sempre existirão, mas é bom saber que temos um ao outro para compartilhá-los.
Parabéns novamente, amor. Pelo seu aniversário, pelo seu caráter, pela sua beleza física e emocional, pelo seu coração, pela sua maturidade, pelo seu jeitinho de criança, pela sua responsabilidade, pelo seu sorriso, pelo seu olhar, pelas suas vitórias e conquistas. E obrigado por permitir que eu esteja ao seu lado para compartilhar disso tudo.
Uma das definições que se encontra no Houaiss:
Ironia. Substantivo feminino.
5 Derivação: sentido figurado.
contraste ou incongruência entre o resultado real de uma seqüência de acontecimentos e o que seria o resultado normal ou esperado.
5.1 Derivação: sentido figurado.
acontecimento ou resultado marcado por esse contraste ou incongruência.
A empresa onde trabalho começou uma campanha para a neutralização do carbono emitido por ela e por seus funcionários. Para quem não sabe, a idéia básica é compensar de alguma maneira a emissão que cada pessoa produz de carbono, tentando manter o equilíbrio da natureza. Se todas as pessoas compensassem o carbono emitido por elas, um dos principais benefícios seria a diminuição do efeito estufa. Mais informações podem ser encontradas no HowStuffWorks.
*(Existem até calculadoras para mostrar quanto CO2 emitimos, e quanto devemos repor para neutralizar o carbono. Dois sites muito bons sobre o assunto são o Recicle Carbono e o Carbono Neutro).
O fato é que a empresa tem tomado atitudes para a neutralização do carbono, como campanhas para o plantio de árvores por parte dos funcionários (para cada árvore plantada por um funcionário, a empresa planta outra), e a diminuição das impressões corporativas em papel, sendo trocadas por recados via email ou voz (serviço de auto-falantes).
Tudo muito bom, tudo muito belo.
Mas alguém pode explicar porque eles utilizam toalhas de papel em todos os banheiros da empresa, ao invés daqueles secadores com ar quente? Ou senão, porque todas as máquinas de café têm copos descartáveis, ao invés de distribuir canecas para os funcionários? Isso sem contar as rondas feitas pelos guardas da empresa, com carros a diesel (e eu duvido que eles utilizam biodiesel).
Pensando bem, acho que deveria ter procurado o significado de hipocrisia.
Trabalhar com tecnologia no Brasil é estar automaticamente alguns meses defasado em relação ao resto do mundo (tecnológico). Um exemplo acessível do que estou falando é o iPhone, que já existe há milênios lá fora e não chegou oficialmente ao país ainda. Embora estatísticas não-oficiais dêem conta que existem hoje aproximadamente 440 mil aparelhos no Brasil (informação dada pelo professor Luli Radfahrer, numa entrevista ao Serginho Groisman).
Quem tem um notebook sabe como é doloroso ver que seu precioso chega a custar nos Estados Unidos metade do preço que você pagou no Brasil, já convertidos os valores. Isso que até agora só dei exemplos de produtos. A própria mão-de-obra tecnológica é muito melhor remunerada em países como Canadá do que aqui, por exemplo. E isso é claramente exemplificado pelo cara que conheço e trabalha numa empresa brasileira com clientes estrangeiros.
Para os clientes, é vantajoso pagar uma mão-de-obra muito barata (brasileira) para executar um serviço de qualidade. Para a empresa, é vantajoso ser escravizada pelo cliente em troca de alguns milhares de euros ou dólares, que valem bem mais do que os reais tupiniquins. E todo mundo ganha, exceto os funcionários que são obrigados a dobrar turno, trabalhar 14 horas por dia, perder fins de semana e feriados. E nem sempre esses dias são remunerados.
Eu sei que existem casos assim em várias áreas. E com TI não deveria(?) ser diferente. Mas não é porque existe em quase todo lugar que deveria ser regra. E ainda querem que tenhamos orgulho do Brasil…
(Não deixei de ser patriota, nem de acreditar no país. Só acho que o patriotismo e a defesa dele deveriam vir de pessoas que os exercem e sabem seus significados. Como isso não existe no Brasil, não me dou ao luxo de me cobrar compromisso com a pátria).