O tempo passa e eu estou sumido, eu sei. Mas estou fazendo isso por mim mesmo, para o meu próprio bem. Não vou escrever nada aqui a não ser que tenha vontade, e não para atender a vontade de alguém.
Há tempos não escrevo no blog, e também estou meio sumido do twitter. Quase não entro mais no MSN, minha conta do ICQ continua mantida no soro. Mudei o corte de cabelo, mudei meus hábitos alimentares. Passei a trabalhar mais, passei a chegar tarde em casa. Estou dando mais valor aos programas com ar puro, ao invés de ficar sentado na frente do computador.
Encaro isso como uma férias mental. Não sei se alguém tem isso, nem sei se isso é normal, imoral ou ilícito. Sou assim e sou eu mesmo, para o bem de alguns e azar de outros. Quando eu voltar do descanso, aviso.
A tecnologia já está tão incorporada ao nosso dia-a-dia que não conseguimos mais distinguir algumas facilidades da vida moderna que simplesmente podem nos deixar na mão. Experimente perguntar para uma mulher se ela sobreviveria sem um secador de cabelos; isso sem falar das aplicações consideradas “úteis”, como os metrôs, por exemplo.
Tenho uma conta no Gmail desde 2004, assim que foi permitida a entrada de pessoas além das convidadas inicialmente pelo Google. Meu primeiro email consta de 28/06 e, desde então, foram quatro anos utilizando quase exclusivamente o Gmail para enviar e receber mensagens. Redirecionei outras contas de email que eu tenho para o serviço, e criei filtros. Conseguia enfim uma ferramenta para verificar todos os meus emails em um único lugar, e o melhor de tudo: online.
Nestes anos, acumulei mais de 13 mil emails, e estou utilizando atualmente 44% da capacidade da minha conta. Não sei se isso é pouco ou muito, não me importo. A questão é que, neste amontoado de mensagens, é possível encontrar a melhor referência bibliográfica para minha própria vida (se ela fosse digna de uma biografia). Se pudesse dedicar um tempo para fazer isso, daria até pra construir uma linha do tempo, com os principais fatos da minha vida.
Essa semana, instalei um cliente de email em minha máquina (Thunderbird) e o configurei para acessar minhas mensagens - não que eu precisasse, apenas para ter mais uma opção. Tudo funcionou perfeitamente, exceto a importação de contatos. Fuçando, descobri uma extensão que permitia isso. Instalei, configurei e funcionou como previsto. Aí… não satisfeito com a importação dos contatos, queria realizar novamente o procedimento, para organizar em pastas, bonitinho. Apaguei a primeira importação e fui começar de novo…
Nem preciso dizer que a extensão apagou TODOS os meus contatos do Gmail. Isso mesmo! Quatro anos de contatos jogados fora num clique. Por um pentelhésimo momento, xinguei Deus e o mundo e mandei tudo à merda pensei que tudo estava perdido. Mas depois pensei: todas as mensagens continuam lá, qualquer coisa é só buscar por uma pessoa, pegar seu endereço e enviar a mensagem. Dá mais trabalho, mas é possível.
Somos tão dependentes dessas coisas que nem nos damos conta disso.
Eu sou um blogueiro medíocre. Não consigo nem manter atualizado um blog com posts sobre qualquer coisa durante dias seguidos. Essa desculpa de falta de tempo não convence nem a mim mesmo. Então vou (tentar) ser criativo: não estou atualizando porque a crise da bolsa faz oscilar minha conexão, que está diretamente relacionada à cotação do dólar e aos papéis das indústrias de matéria-prima.
Algumas pessoas acham que escrever sobre o dia-a-dia é mediocridade. Então continuo sendo um blogueiro medíocre, mesmo que eu atualize todos os dias. E mesmo que meu dia seja interessante para alguém, ainda assim a opinião das pessoas será a mesma, o que me leva a pensar que estas opiniões (ou seriam as pessoas?) não sejam tão melhores do que eu.
E por falar em importância, percebi que não adianta ter a melhor idéia. O importante é saber como vendê-la. Porque no mundo hoje tudo gira em torno do convencer outra pessoa a comprar seu produto. E, no caso, seu produto é sua idéia, mas também poderia ser sua casa, seu iPhone ou sua coleção de Playboys (inclusive com a primeira edição da Cláudia Ohana). Disso também entendi que tenho que me especializar nas questões técnicas que envolvem meu trabalho, mas se eu quiser ganhar dinheiro tenho que saber vender melhor meu peixe.
Não vou prometer atualizações diárias. Esse blog é meu, e faço dele (e com ele) o que quiser.
Tela da nova homepage do Uol, que entrou no ar hoje de manhã:

Acho que o Bush não gostou muito, né (clique para ver a imagem maior).
Update: mudaram a legenda da foto minutos depois do print.
Durante muito tempo acreditei que os rancores eram como pedras, colocadas em lugares estratégicos de uma paisagem pintada num quadro, o qual podemos associar à nossa vida. Tem gente que pintaria uma cidade cheia de arranha-céus, alguns representariam paisagens de montanhas, outros uma bela vista para o mar. Mas em todas as telas haveriam pedras, mais ou menos escondidas.
Depois, fui percebendo que essa visão é estática demais. A gente muda, a vida muda, e porque os rancores deveriam ficar ali? No fundo, guardar essas pedras faz parte de um apego piegas da nossa parte em relação a estes sentimentos ruins que nos tornam sensíveis, necessitados de colo e atenção. Funcionam como uma espécie de grito para o mundo: “Alô, estou aqui sofrendo! Por favor, olhem para mim!”.
Aí, o tempo passou mais um pouco e veio a constatação de que isso, em essência, é patético. Obviamente influenciado por correntes houseanas (ou houseanistas?), passei a encarar as coisas de forma muito mais simples: não existe pedra, não existe quadro. Até mesmo esse esforço em metaforizar as coisas é ridículo e infantil.
Após toda essa montanha-russa de idéias e achismos, enfim ocorreu o esperado encontro com a linha tênue da sobriedade e da lucidez. É bom ter o tempero dos dramalhões teatrais, é bom ter a fúria insana da sinceridade. Tudo isso colocado à sua medida nos momentos certos. Afinal, quando terminamos a equação percebemos que não há razões para se amar ou odiar muitas das coisas que aconteceram ou virão a acontecer em nossas vidas, especialmente aquelas pelas quais não há sentimento, simplesmente.
É isso. Não há ódio, não há rancor. Não há alegria, nem saudade. Porque não há nada. E talvez esta seja a verdade mais simples e sincera de tudo o que ficou pra trás.
Segunda-feira assisti uma boa palestra sobre comunicação interpessoal na Semana de Comunicação da faculdade da minha namorada. Sou formado em Engenharia mas sempre gostei dessa área, muito por causa dos anos de trabalho na rádio e no jornal. E a palestra me trouxe de novo uma vontade há tempos esquecida: me especializar em comunicação.
De alguma forma, sei que possuo uma facilidade para comunicar que outras pessoas não têm. Não é falta de modéstia, é apenas uma constatação. Enquanto muita gente fica retraída ao falar em público, por exemplo, eu não sinto o menor problema. Uma situação do dia-a-dia que me comprova perfeitamente isso é o receio que alguns companheiros de trabalho (tanto atuais quanto passados) têm de conversar com seus superiores. Pra mim, é apenas uma conversa entre duas pessoas que trabalham na mesma empresa, com cargos diferentes e só. Inclusive, procuro aproveitar o máximo que posso destas conversas, pois são nelas que sempre aprendemos um pouco aqui ou ali.
Voltando, essa facilidade de conversar e comunicar me pertence, e sinto que não tenho me utilizado dela como deveria. Sabe aquela sensação de ter algo poderoso e estar subutilizando isso, como ter um computador super poderoso para jogar Paciência. Por outro lado, não sei exatamente o que fazer com isso, ou como posso transformar essa facilidade em fatos.
Com os novos canais de comunicação de hoje, principalmente a internet, já tive algumas idéias do que poderia fazer. Um podcast, por exemplo, é uma forma fantástica de comunicar sem compromisso com tempo ou espaço. Um exemplo disso é que ouço os podcasts do Jovem Nerd de 2007, e eles continuam legais e atrativos. Acho que o desafio é justamente este: fazer algo interessante e que permaneça interessante.
Sei lá o que farei. Vou colocar as idéias no lugar, depois volto neste assunto.
Ainda sobre as eleições, na cidade onde nasci e cresci a oposição ganhou. Isso porque o candidato da situação gastou milhares e milhares de reais com churrascos e cestas básicas tentando agradar a população. Foi a constatação que, mesmo lá no fim do mundo, as pessoas estão deixando de serem bobas - o que não implica em exercício de democracia, muito menos em inteligência.
Foi legal ver que muitas pessoas que utlizavam a política local como cabide de empregos para seus conhecidos e amigos ficaram de fora. Tem gente lá que já pensava que o mandato era vitalício, tamanho era seu conforto no cargo. E ficaram de fora.
O que resta agora saber é até onde vai a ousadia do candidato da oposição. Se bem que o termo mais apropriado para a frase anterior é competência.
Em ritmo de eleições, descobri que qualquer cidadão brasileiro com acesso a internet poderá acompanhar a apuração das eleições de sua cidade em tempo real. A partir das 17 horas de amanhã (horário de Brasília), o TSE começará a divulgar os votos apurados eletronicamente em todos os 5565 municípios do país.
Para que todos pudessem acompanhar as apurações, e para que não haja este ano o mesmo problema dos anos anteriores (servidores baleiando, filas de atendimento de conexão, lentidão de respostas), o governo fechou acordos com vários servidores em todo o país. E também lançou um programa que pode ser baixado e instalado em sua máquina, permitindo o acesso mais rápido e seguro a estes dados localizados nos servidores.
O programa pode ser baixado aqui. Nele, basta escolher um servidor para se conectar de uma lista oferecida pelo próprio aplicativo. A partir daí, basta realizar uma busca informando seu estado e seu município, que ele oferecerá duas opções: acompanhar as parciais para prefeito, ou as parciais para vereadores.
O único problema é que há somente versão para Windows. Linux e Mac ficaram de fora.
Queria agradecer de coração ao Breno e à Fabiana pela indicação ao Prêmio Dardos. Basicamente, a premiação consiste em indicar 15 blogs que você freqüentemente lê, e suas razões. O interessante desse mecanismo é que ele acaba agregando milhares de blogs nos mecanismos de busca. Se você quiser experimentar, é só buscar por Prêmio Dardos no Google.
Humildemente, obrigado.
Eu tentei encontrar a origem da premiação, mas é uma pesquisa que requer mais tempo e paciência, coisas que não estão sobrando. De qualquer forma, não vou conseguir indicar 15 blogs que eu leio (embora minha lista de feeds seja gigantesca). Mas seguem alguns que não perco um dia sequer (incluindo, claro, os que me indicaram):
Amém Gente! - eu não consigo explicar o que exatamente me prende a este blog. Só sei que ele é bom, sem definições enlatadas.
Conversa de Botequim - alguém que também é da área de TI e entende bem minha raiva de usuários malditos.
De Salto Alto - uma das primeiras pessoas que conheci pessoalmente por causa dos blogs. Gente boa e usa Linux. Não precisa de mais palavras (adepta do falar pouco e falar tudo).
Flávio Gomes - um cara que entende de verdade de velocidade, carros, automobilismo. É a cobertura do esporte sem a hipocrisia brasileira.
Morróida - dispensa comentários. E ele que se foda.
Por onde meus pés hão de pisar - blog da Karina Lerner, que eu acompanho desde os tempos do Maior Abandonada. E o típico blog que as poucas palavras valem ouro.
Publicidade em Mente - porque ela escreve bem pra cacete, porque é minha namorada, e porque é a melhor publicitária que eu conheço.
Somos Todas Umas Vacas - a análise crítica e profunda das relações entre bois e vacas num mundo globalizado.
Vida no Rascunho - da garota Postgirl, que escreve com propriedade sobre o cotidiano, as angústias, as tristezas e as alegrias do dia-a-dia.
Cyanide & Happiness Traduzidos - o atalho brasileiro para as melhores tirinhas do universo digital. Os originais podem ser lidos aqui.
Os blogs e sites que indiquei aqui são apenas um resumo do que eu sempre leio, sem nenhuma interferência de opinião externa. Existem alguns que eu queria colocar aqui, mas que não atualizam há tempos, ou simplesmente morreram. E, por favor, não se sintam obrigados a linkar, agradecer, retribuir ou sequer ler. Só estou acompanhando o espírito da premiação e fazendo os algoritmos do Google trabalharem.