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Perdão, Mauá

Para não deixar o assunto esfriar, citei no post anterior que gostaria de morar fora do Brasil porque, entre outros motivos, não sinto orgulho de ser brasileiro. Muita gente, quando lê afirmações como esta, começa a vociferar palavras de defesa a essa gente, a essa terra que ocupamos. Entretanto, assim que param para pensar no que estão dizendo e no que digo, a reação obtida é, no mínimo, de dúvida.

Eu poderia falar sobre os políticos que comandam esse país, que são escolhidos pelo povo e, justamente por isso, não são menos dignos que aqueles aos quais representam. Eu poderia falar do imenso abandono no qual milhões de pessoas vivem, simplesmente porque o governo não possui políticas públicas eficientes de combate à pobreza. Eu poderia citar as dezenas de milhares de aposentados que ficam, todos os dias, horas em pé em filas para atendimento nos postos do INSS. Mas não vou argumentar assim.

Não por falta de assunto, poderia falar sobre os crimes mais atrozes cometidos pelos bandidos mais cruéis, e que não são punidos (e nem é porque não existem pessoas determinadas a cumprir a lei - é apenas uma questão de (des)equilíbrio de forças). Poderia discursar sobre as centenas de leis que existem e se contradizem e permitem que a vítima seja processada pelo agressor. Eu até gostaria de falar sobre a mídia marrom que existe nesse país e que manipula a população que se vende por um pingo de prazer na frente da TV, já que não pode beber, não pode fumar, cuspir já não pode.

Eu poderia falar sobre a revolta de ter que pagar duas ou mais vezes o mesmo imposto, de ter que pagar pedágios para manter rodovias em boas condições enquanto o governo cobra IPVA justamente por isso. Poderia falar sobre meu plano de saúde particular, pago com muito sacrifício para compensar a ausência de um serviço público de saúde de qualidade, embora me seja cobrado caro por ele. Eu poderia falar sobre as inúmeras taxas que pago para melhorar a cidade que vivo, mesmo que haja uma enchente a cada chuva que cai na paisagem cinza.

Mas não vou falar sobre nada disso. Apenas direi que gosto e convicção são particularidades que se desenvolvem com a vida, e se torna tão complexo explicá-las que nem um pesado livro seria capaz de sintetizá-las. E antes que voem pedras, eu também sei que existem excelentes coisas no Brasil, muitas delas encontradas apenas aqui. Mas é que, colocando tudo na balança (que é calibrada de acordo com minhas experiências, claro), já não está mais valendo a pena.

Prometi a mim mesmo não criar mais textos longos. Mas não consegui evitar. E ainda teria muito mais a escrever, mas não quero correr o risco de me tornar reduntante e chato. Acho que, nestas poucas palavras, quem consegue compreender a língua que escrevo sabe o que estou dizendo.


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