Acabei de ter uma conversa edificante e filosófica com um amigo. E ela ratificou um diálogo que eu tive hoje mesmo, na hora do almoço. Vivemos em função de pedaços de papel.
Quando nascemos, recebemos uma folha que chamamos de certidão de nascimento. E ela é tão forte que algumas pessoas não conseguem se imaginar com a personalidade que possuem (ou não) hoje sem esse papel. É como se o escrivão digitasse mais do que um nome ali - digita sonhos, planos, projetos, decepções, experiências.
Passa o tempo, e vamos acumulando mais papéis. É a carteira de vacinação, a matrícula da escola, o primeiro diploma (esse, aliás, merece um capítulo especial qualquer dia). Daí vêm os documentos: RG, CPF, carteira de trabalho, PIS. O tempo passa um pouco mais, e chegam os contratos empregatícios, as primeiras escrituras de posse, o documento de identificação do carro, a habilitação para dirigir. Um grande amontoado de papéis que tem o poder de descrever quem você é.
A saúde começa a ficar mal, e vêm os papéis do plano de saúde, da aposentadoria, os atestados médicos. Por fim, quando nem existimos mais (sem entrar na questão espiritual da afirmação), ainda arranjam em nosso nome mais um papel - a derradeira certidão de óbito.
Tem gente que vive em função desses papéis. Tem gente que mata pelo mais valioso deles: o dinheiro. E não pode ser qualquer papel. Alguns têm o poder de criar papéis, outros apenas de fazer desenhos infantis com giz de cera.
Moral da história: deveríamos ter um cartão magnético único, com todos os serviços. Seria uma economia gigantesca de papel; você nasce e ganha o cartão, morre e o cartão é quebrado. Mais simples, né.
Como se tudo fosse simples…
Hoje está chovendo.
Hoje é um dia de falar baixo, conversar pouco. Se possível, não falar com ninguém.
Hoje é dia de tomar uma bebida quente no sofá da sala, vestido de pijama ainda - que você não pretende retirar até que a noite chegue de novo.
Hoje é dia de ouvir música triste, fechar as cortinas e apagar a luz.
Nem todos os dias são ensolarados, nem todos os finais são felizes. Nem sempre temos vontade de responder educadamente, soltarmos sorrisos falsos e amarelados. Nem sempre somos educados, ou falsamente sinceros. Hoje é um dia que o filtro foi para a manutenção.
Quando se gosta de alguém, não existe momento certo para se expressar isso. Assim como não existem momentos que não possam ser descritos com palavras, ainda que estas não sejam suficientemente fortes para expressar tudo o que se sente.
Personalidade é um artefato cada vez mais raro hoje. Não se encontra na prateleira do supermercado, nem na banca de revistas. Quem a possui sabe que não agradará a maioria, tem consciência que seu círculo de amizades nem sempre será composto por muitas pessoas. Mas também sabe que aqueles poucos que ali estão são tão ou mais nobres do que si.
Coragem é a causa e a conseqüência de uma vida de compromissos assumidos com sua própria consciência. É o resultado de uma opção de vida - embora seja também causa: ter autonomia para dizer o que pensa, e sabedoria para ouvir o que os outros pensam de si. Isso não implica em serenidade em todos os momentos, ou que acerta-se em todas as vezes. Mas o que seria da imperfeição humana sem os erros?
Força surge quando as dificuldades que resultam da Personalidade e da Coragem aparecem. Nem todos estão preparados para carregar os fardos que recebem. Mas você não fugiu quando elas vieram. Eu sei, muitas vezes você pensou em desistir, em jogar tudo para o alto e se isolar em uma caverna (às vezes acho que você efetivamente faz isso).
Não tenha vergonha nunca de suas opções, de sua inteligência e de sua convicção. Apesar de seu olhar ser oculto ao meu, apesar de seu sorriso ser tão misterioso quanto o da Monalisa, não desista de evoluir e diminuir o muro que esconde o sol do seu rosto.
Felicidade não é uma convenção social, nem uma regra que se ensina na escola. Cada um sabe o quanto é feliz, e o quanto pode vir a ser. Afinal, a Califórnia nem fica tão longe assim, vai.
A normalidade é uma questão de convenção social. Essa foi a conclusão de uma conversa que tive ontem com uma neo-amiga.
É engraçado parar uns momentos para pensar como nosso conceito de tolerável/aceitável/permissível é alterado com o tempo e com as experiências que vivemos. Há três anos, nunca imaginei ter a vida que tenho hoje (em termos profissionais, pessoais e financeiros). E hoje já acredito que daqui a três anos, mesmo com as melhores previsões, minha vida ainda não estará nos eixos (que eu quero).
Até que ponto é injusto gastar aquilo que se tem? Não quero levantar aqui a questão de como se conquistou o patrimônio que se possui. Cada um tem sua consciência tranqüila (ou não) quando coloca a cabeça no travesseiro toda noite. O que desejo é simplesmente indagar (talvez ao meu próprio senso de auto-crítica) qual é o crime daquele que usufrui daquilo que possui.
Da mesma maneira que aquele que não tem nada dói aos olhos porque é discrepante da média, aquele que muito possui também destoa do cinza-azulado da turma do meio. E é errado isso? Quero dizer, a diferença em si entre os extremos é condenável, mas simplesmente viver conforme suas possibilidades é um pecado tão condenável assim?
Se fosse há três anos, eu responderia sem titubear que sim. Agora, já não sei. Vi e vivi muita coisa, venci algumas, e isso me mudou. Novamente, cada um faz aquilo que acha que deve para contribuir com a diminuição dos extremos, mas isso não desfaz o fato de que a diferença existe.
Eu mesmo me questiono se isso não é uma espécie de mantra para aceitar que o mundo é assim mesmo e foda-se. A resposta que eu encontrei é não. Só tem muita gente cuidando da vida de todos, e esquecendo de cuidar da sua própria.
O mundo da computação me acostumou com um jeito de viver diferente da maioria das pessoas (ou não). Nunca fui imediatista - pelo contrário, acho que sou conservador demais em algumas situações que exigem rapidez. Mas tenho uma necessidade de ver resultados imediatos quando começo algumas coisas. Isso funciona para um trabalho que estou desenvolvendo, para uma amizade e suas relações de confiança, para um investimento financeiro e seu retorno.
Só que na faculdade você pode se dar ao luxo de encarar esse jogo da vida como um simulado (mais ou menos como um FolhaInvest). É como uma atribuição de pequenas responsabilidades. Mas depois que o jogo passa a ter fichas pagas com dinheiro, você pensa várias vezes antes de blefar com um 2 e um valete.
Sorte que eu tenho um par de ases na mão. Vamos ver o que a mesa dá.
Do que adianta ter opinião? O que se ganha em pensar diante das situações, desde a mais simples e corriqueira até o crime mais bárbaro? É muito mais fácil seguir a opinião dos outros, que alguns iludidos denominam “opinião pública”. Ora, eu sou público (no sentido político da termo) e nem por isso compartilho do que a minoria chamada de maioria pensa.
Afinal, ter sua própria concepção dos fatos exige personalidade, e infelizmente esta não se encontra na prateleira do supermercado, ou na banca de jornais. E as pessoas não estão acostumadas a lidar com personalidade. Assim, acabam isolando os “diferentes”, para continuarem sendo “iguais”.
É muito fácil condenar sem provas, é muito cômodo apontar sem fatos. Não estou defendendo que tudo deve ser analisado à exaustão, mas não dá pra julgar um assassinato com o mesmo rigor que aplicamos uma sentença a uma infração de trânsito leve (isso é um exemplo metafórico e ilustrativo). Ainda que tudo aponte em uma direção, que todas as evidências indiquem algo, por que esperar a sentença final se nos julgamos capazes de condenar por nossas próprias forças?
No fim das contas, cada um é dono de sua própria vida e faz dela o que achar que deve. Parece fácil quando se coloca nesses termos, mas faça um teste e note quantas pessoas tomam conta da sua vida. Pare e observe em quantas situações aparecem advogados, mestres, especialistas - todos de primeira (e poderiam ser de última) viagem - com uma autoridade emanada do alto conhecimento sobre o nada e qualquer coisa.
Se o céu (analogia infantil para simbolizar o início, o começo de tudo) tivesse uma daquelas caixinhas de sugestões, eu escreveria para o dono criar uma versão que tivesse um limitador de palpites. Algo como “depois de alguns palpites, ele se cala sozinho!“. E não venham me dizer que eu já gastei os meus - eu sou de uma versão antiga, que não oferece suporte para esta funcionalidade.
O template novo ficou pronto. Quer dizer, quase. Ainda preciso acertar algumas coisas, como o espaço que ficou sobrando aqui em cima (no canto esquerdo) assim como o alinhamento dos títulos das seções na coluna da esquerda, que estão levemente pendendo para a direita.
Mesmo assim, resolvi colocar o template novo no ar para inaugurar uma nova fase também. Não é para soar como promessa de campanha eleitoral, mas o fato é que as coisas deverão ficar menos pessoais por aqui. Aprendi com o tempo e com algumas pessoas que a internet é um vasto universo paralelo no qual as pessoas são aquilo que desejam ser. E nem sempre isso significa que são boas.
Para proteger minha pessoa, para proteger meus amigos, para proteger minhas convicções, mudo minhas palavras. Mas não as mudo como mudei o formato desse blog - o que fica diferente são os espaços destinados aos comentários pessoais. Ainda que, no meu universo paralelo, eu seja o rei, o ditador e o imperador. Quem manda sou eu, o que implica que de vez em quando pode aparecer um fiapo de particularidades.
Sinceramente, não sei sobre o que irei escrever daqui para frente. E prefiro que seja assim, porque o que escreverei não importa - o que interessa é como. Lendo outros blogueiros, conversando com outras pessoas, me convenci de que não basta apenas escrever palavras bonitas ou sutis. Ser educado não leva necessariamente a um fim. Opinião é algo que te identifica, assim como a íris dos seus olhos, ou a digital dos seus dedos. E quero exercitar a minha sem ter que dar muitas satisfações sobre os gostos de quem passa por aqui.
É isso. Vida longa à inconstância.
O novo template está a caminho. E me fez perceber que eu não sei nada de merda nenhuma sobre como construir algo em html/css.
Eu sabia que as aulas do Rudinei não tinham servido para nada.
Aguardemos os próximos passos.
O síndico pediu um fim de semana de folga. E foi atendido.
Será que é egoísmo querer mais das pessoas?