Sara Albuquerque: Por vezes, chego a esta terceira fase. wagner: é sobre o que que o senhor vai nos ensinar???... karina: sinceramente? acho que vc precisa relaxar e... Fabiana: Aguardando…primeira chamada. Breno: Meu amigo, estabelecer um método ou um foco para...
Idéia original (e parte do texto) de Tayza Carvalhaes
Basicamente, a Trans-Siberian Orchestra (a.k.a. TSO) foi fundada pelos integrantes da banda de heavy metal americana Savatage e Paul O’Neil. Não sei se você conhece, mas Paul foi produtor de várias bandas de rock e pop, tais como Madonna (produziu todos os shows na década de 80), Jon Bon Jovi (lixo total, mas fez um puta sucesso), White Snake (não conheço nada dos caras ou, se conheço, não me lembro) e Aerosmith (Classics Live I and II), entre outras.
O álbum mais sinistrão da TSO é o Beethoven’s Last Night (o povo adora um nome grande, né?), ou BLN, como é mais conhecido (ufa!) por aí. Ele conta uma história fictícia sobre a última noite de vida do Beethovão Muleque Danado. Diz a lenda que Beethoven recebeu na sua última noite, enquanto estava finalizando sua décima sinfonia (que nunca ficou pronta), a visita do Mephistopheles (Zatanás!), que o abordou com uma proposta bem indecente: ele não levaria a alma do Bee (apelido lindo, amo o Beethoven) pro inferno se o Bee concordasse em deixar o diabão apagar tudo o que ele já tinha feito NA VIDA da memória de TODA A HUMANIDADE.
Beethoven, em inglês britânico: Fucking Shit!
Bem, Beethoven pediu ao diabo uma hora pra pensar sobre o assunto e o “destino” deu ao compositor a chance de reviver toda sua vida e consertar seus erros. O disco conta a vida do Bee todinha, desde a infância, com algumas verdades e mentirinhas, óbvio.
Uma das músicas mais fodas legais desse disco é a que “fala” do próprio Beethoven. A descrição que se encontra no site da banda sobre essa música diz:
“Once more back in 1827 Vienna, he tells Fate that he would not change a thing from his past and risk losing the music. The music is who he is, the reason for his existence. Also, having seen the influence of his music on so many lives, he knows that he could never give the music to Mephistopheles. Still, he does not wish to lose his soul. Desperately he ponders his dilemma.”
Tayza Carvalhaes é esposa, mãe e profissional de TI. Tem a delicadeza de uma marretada no dedo, e tem um excelente gosto musical. Atualmente, apavora desfila de carro novo pelas ruas do Rio de Janeiro.
Há algumas semanas, provavelmente mais de um mês, vi um trecho do Saia Justa cuja proposta daquele dia foi cada uma escolher um trecho de determinado filme e desenvolver um assunto a ser discutido a partir dele. Márcia Tiburi escolheu Volver, do Almodóvar. O trecho é aquele em que a Raimunda, personagem da Penélope Cruz, resolve congelar o marido. Não vou dizer o motivo e nem se isso é apenas uma metáfora, o texto não precisa ter spoilers.
Márcia perguntou algo como: por que congelamos as pessoas? Claro que as outras integrantes do programa riram da proposta da filósofa, afinal que tipo de “maluco” propõe um assunto desse? Pois eu, maluca que sou, achei excelente. O que nos leva a congelar uma pessoa? E isso pode valer também para o sentido literal, apesar de eu preferir a metáfora.
Não que os motivos que nos provocam tal decisão não sejam nobres: às vezes, congelar alguém nos ajuda a viver melhor, pois somos seres dependentes. Eu já fiz isso e não me arrependo. Aliás, até me orgulho um pouco. Mas é um sentimento extremamente egoísta e injusto. Egoísta porque congelei alguém por conveniência. E injusto porque o fiz com pessoas que, somente naquele exato momento, mereciam ser congeladas.
Sim, isso soa um tanto bizarro, mas quem sou eu para decidir em qual momento devo congelar alguém? O ato é cometido como conseqüência de uma atitude que não resume, de forma alguma, a pessoa. Ninguém é apenas um motivo de congelamento (ok, that’s weird). Pode até ser vários, há quem insista em ser. Mas por que decidir fazer isso com alguém exatamente num momento que servirá para sempre como justificativa de que seu lugar na minha vida não é mais merecido? Por que cometer essa injustiça só por me fazer lembrar da pessoa daquela maneira? Não consigo lembrar de um instante sequer em que tenha congelado alguém logo depois de eu ter dito: “isso que você fez agora me deixou feliz”.
Pois bem, congelamento é, definitivamente, algo injusto. Mas não é também com quem congela? Afinal, é possível descongelar, é possível voltar, e isso dá a quem congelou uma responsabilidade não prevista. Será que escolhemos congelar porque tem volta ou somente porque nós temos o poder da volta? Percebe a diferença? Acredito mais na segunda opção, já que só o fato de congelar alguém demonstra que não fomos fortes o suficiente para matar. (Tudo continua na metáfora, por favor.)
E a pessoa congelada também está sob nosso controle. Quer maior satisfação do que saber de um poder e não usá-lo a vida inteira só para não perder a chance? Talvez o ser humano seja movido a congelamentos. Acho que faz parte do que Fernando Sabino chama de “movimentos simulados”. Por que não ser como a mãe da Raimunda que, em vez de congelar, queimou pessoas naquele momento (não depois dele)? Queimar é um ato corajoso. O fogo grita na sua cara, mas você continua ali. E é um ato de desapego também, pois quem vai cuidar das cinzas é o vento e você não terá mais qualquer ligação.
Mas enterrar alguém congelado, como fez Raimunda depois, é mais corajoso ainda: você sabe que a pessoa vai permanecer naquele instante para sempre, sabe o lugar onde enterrou e, ainda assim, está negando a possibilidade de ter tamanho poder. Tomar essa decisão é aceitar o que realmente nos motiva a viver: o presente e o futuro.
E só digo tudo isso porque sei muito bem o que é estar congelada na vida de alguém: estou ali com os olhos abertos, vendo tudo detalhadamente, enquanto a pessoa tem certeza absoluta de que tomou a decisão certa.
Renata Miloni acha suficiente dizer que é minha amiga.
Vivemos a era das mulheres-comida, as mulheres descartáveis, que chamam a atenção e ganham a mídia somente pelas suas formas. Fomos inundados de mulheres-melancia, mulheres-melão, mulheres-filé e mulheres-moranguinho. Ao que parece, mulheres para serem “comidas” e ponto final.
E nós, as mulheres-reais? Quando seremos valorizadas? Nós, as mulheres que trabalham, estudam, são inteligentes, sabem conversar, se preocupam com o meio-ambiente, são companheiras, gostam de ler e que…existem de verdade, não apenas enfeitam páginas de revista ou exibem a bunda na televisão.
Eu sou uma mulher-real, não tenho a bunda da mulher-melancia nem os peitos da mulher-filé, também nunca saí em nenhuma revista masculina como a mulher-moranguinho. Graças a Deus.
B., do De Salto Alto. Publicado sob autorização da autora, como uma homenagem às pessoas inteligentes (e ela é).
O que é um brasileiro? Para o Wikcionário, é um natural do Brasil, ou seja, alguém que nasceu no maior e mais povoado país da América do Sul. Para os próprios brasileiros, é alguém cordial, amigo e nada honesto. E para os outros povos, o que é um brasileiro? Para a maioria deles (que nunca viram um brasileiro) é uma pessoa exótica e cordial, que joga muito bem futebol e samba como ninguém. Para os franceses, é uma pessoa cordial e com uma cultura diferente, com quem têm muito a aprender. Para os portugueses, é uma pessoa feia, desonesta e barulhenta. E depois de viver quase um ano em Paris e mais de um ano em Lisboa, posso dizer que o brasileiro é, no mínimo, uma pessoa barulhenta.
No térreo do prédio onde mora minha namorada, vivem brasileiros - não sei se são uma família, mas são muitos - e regularmente fazem churrascos e colocam a música (sertanejo ou pagode) no último volume. Ontem, no trem que apanhamos para ir à praia, dois grupos de brasileiros disputavam para ver quem colocava a música mais alta no celular - primeiro um funk qualquer e depois o Rap das Armas. Claro que nem todos os brasileiros são feios e barulhentos como aqueles do trem - e há pessoas barulhentas de todas as nacionalidades - mas estamos a falar de estereótipos, não é mesmo?
Eu, por exemplo, não sou brasileiro. Primeiro que o sufixo -eiro designa em Português as profissões, e não as nacionalidades. Eu, como não vivo da exploração do pau-brasil (mesmo porque é uma espécie ameaçada de extinção e por isso protegida), sou brasiliano. Segundo porque a maioria das pessoas, quando me conhece, não percebe logo de cara que sou brasileiro. Tenho ascendência européia e mesmo em Portugal (onde seria denunciado pelo sotaque) escapo por não falar muito e ter desenvolvido um sotaque estranho que soa estrangeiro, mas não de todo brasileiro - já fui até açoreano durante uns quinze minutos. Na França, então, nem desconfiam - italiano ou espanhol?
Estereótipos variam de cultura para cultura, e dependem da experiência de cada povo. Em Paris, a maioria dos brasileiros que conheci eram paulistas, cariocas e sulistas, com estudos universitários. Já aqui em Lisboa, o que mais se vê são mineiros e nordestinos que não terminaram o colegial. É a regra, mas existem sempre exceções: uma paranaense faz o mestrado na mesma empresa onde eu trabalho, e conheci um pedreiro de Minas Gerais no metrô de Paris.
Mas não estou aqui para falar de estereótipos, estou aqui porque um amigo (que por acaso é o dono deste blog) me pediu para falar de algo que não gosto. E eu não gosto de ser brasileiro. Sou paulista - nasci no interior de São Paulo e, dada a imensidão do Brasil, me sinto um estrangeiro quando o assunto é a nossa pátria. Comida, costumes, palavras, sotaques - vendo tudo de fora, só sei que pouco sei sobre o país onde nasci. Mas podem ficar sossegados, que eu gosto muito de música estrangeira.
Bruno Nery é estudante de Engenharia de Computação em São Carlos (SP), e de Sinais, Informação e Sistemas na École Nationale Supérieure de Téchniques Avancées (Paris, França). Tem um talento ímpar para resolver problemas de Engenharia e áreas correlatas, mas não tem coordenação para cantar “Parabéns pra você” batendo palma ao mesmo tempo.